Coletiva: Corações Sujos

Marcamos presença na Coletiva de Imprensa do filme brasileiro Corações Sujos, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro e foi com muito alto astral que o diretor Vicente Amorim, o roteirista David França, o ator Eduardo Moscovis e o escritor do livro que baseou o filme Fernando Moraes responderam as perguntas do jornalistas durante  uma hora, e nós vamos dizer alguns dos pontos que foram levantados durante essa conversa:

da esquerda para a direita: Du Moscovis, Vicente Amorim, Fernando Moraes e David França.

_ Sucesso Internacional: Apesar de estar bastante ancioso por finalmente apresentar seu filme no Brasil, Vincente Amorim começou dizendo que o filme foi lançado no Japão com um grande sucesso de crítica e público. Ele esteve na Terra do Sol Nascente para a divulgação do filme e ficou surpreso, pois o lançamento teve um sucesso maior do que ele imaginou. O diretor também atribui a esse sucesso no Japão o fato de que, além de ser um pedaço da própria história do povo japonês (embora se passe no Brasil), o fato dele ser  extramente emocionante, que toca as pessoas;

_ A idéia do filme: Após o lançamento do seu filme anterior (Um Homem Bom, 2008), o diretor não sabia qual seria seu próximo projeto, apenas sabia que queria fazer algo que tratasse sobre Identidade, até que ele leu o livro e viu em Corações Sujos o conceito que ele estava procurando. O processo de adaptar a história foi longo, cujo objetivo foi dar textura e alma aos tantos personagens que são retratados  no filme;

_ Mudanças em relação ao Livro: O escritor Fernando Moraes gostou muito da adaptação, inclusive das licenças que o filme toma em relação ao livro, como por exemplo a inserção da personagem Miyuki, dizendo que ela humaniza a história mas sem comprometê-la. Também destacou o grau de violência do filme, que embora com cenas muito fortes, não chega a ser um “Tarantino”. E junto com o diretor, o roteirista David França destacaram a importância de ter a história contada do ponto de vista feminino, das próprias mulheres japonesas que sofreram com aquela violência de alguma forma;

_ A “cena da escola”: Ao falar um pouco sobre o seu personagem, um subdelegado que tem que lidar com a situação da forma mais correta possível, Eduardo Moscovis comentou várias curiosidades da cena, de como ele ficou impressionado com a pequena atriz paulistana Celine Miyuki, principalmente na cena do canto. E o diretor destacou na cena a performance de Moscovis, com o ator incluindo ações que não estavam no roteiro (“que pena que eu não pensei nelas” brincou David França);

_ A escalação do elenco Japonês: Vicente Amorim destacou essa parte como a mais complicada do processo do filme, pois eles sabiam que deveriam que esse núcleo deveria ser totalmente japonês, dizendo que “era essencial que eles falassem japonês, que fossem japoneses, pois um dos pontos do filme era a separação entre as culturas, o fato de que os japoneses eram isolados culturalmente, pois do contrário nada daquilo teria acontecido. Chamar atores japoneses se mostrou necessário pois além de não haver no Brasil uma quantidade de atores japoneses, embora a comunidade japonesa seja enorme, e também por que havia a grande possibilidade do filme ter uma chance comercial no Japão.” O diretor continuou dizendo que começou os testes para elenco um ano antes das gravações, inclusive fazendo testes via Skype, e assim o elenco foi se formando;

_ A “barreira cultural” como parte da história: Vicente destacou as dificuldades de gravar com um elenco japonês, mas não de forma negativa: “a barreira era parte do processo, a história existe por causa dessa barreira, mas conseguimos usar essa barreira ao nosso favor.” O diretor não se preocupou com o fato do elenco não falar a mesma língua. E Moscovis comentou sobre a postura dos japoneses no set, que eles nunca foram rígidos ou resistentes, estavam sempre solícitos e dispostos a melhorar uma cena;

_ As “imagens distorcidas”: Quanto as imagens distorcidas usadas no filme, o diretor disse que começou usando-as para mostrar a “loucura crescente do Takahashi”, mas elas seriam usadas de forma mais sistemática, mas foram limpadas na edição final para ficar à interpretação do espectador;

_ O custo do filme: O diretor disse que o filme custou 7 milhões e 400 mil, que não foi “nada fácil de levantar”;

_ Operação “Peter Pan”: Para finalizar o escritor Fernando Moraes fala de seu futuro projeto com o diretor Vicente Amorim, levar ao cinema a história da Operação “Peter Pen”, fato ocorrido em 1960 em que a CIA e a igreja católica se juntam e tiram de Cuba 14 mil crianças, algumas até se tornando membros proeminentes da sociedade americana.

É isso gente, fiquem ligados pois o filme Corações Sujos chega às telonas dia 17 de Agosto. E não percam a nossa crítica do filme e outras surpresas que vão surgir por aí.