Coletiva: Robocop

A nossa colega Ingrid Reis acompanhou a entrevista com os atores Michael KeatonJoel Kinnaman e com o diretor José Padilha, do novo Robocop, que rolou na terça-feira, dia 18, na zona sul do Rio de Janeiro.

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O encontro ocorreu de forma descontraída, causando risadas por todos os lados. Padilha começou explicando como surgiu a oportunidade de dirigir o remake do clássico de 87, do qual também é fã. Segundo ele, o filme caiu em suas mãos por acaso em uma reunião com os executivos da MGM. O cineasta viu o cartaz do Robocop e disse que este era um projeto que o interessava. Dois dias depois recebeu um telefonema com o sinal verde para a realização do longa: “A ideia era fazer um filme de entretenimento com conteúdo e falar sobre a política do uso das aeronaves não tripuladas (os drones) e a troca de soldados por robôs.”, explica o diretor.

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Ao ser questionado sobre a expectativa dos fãs, Padilha revela que não levou isso em consideração, mas que foi o mais fiel possível ao conceito básico do personagem: “Eu ignorei a expectativa dos fãs. Se fosse pensar, estaria liquidado. Tentei ser fiel ao conceito básico do personagem Robocop. Quando se automatiza a violência você abre a porta para o fascismo. Nascido para Matar (Full Metal Jacket) de Kubrick e Tropa de Elite são filmes que mostram como o árduo treinamento doutrina o indivíduo até ele perder a capacidade de pensar criticamente. Esta ideia de retirar o senso crítico, de desumanização está embutida no meu Robocop.”, explica o diretor, que enfatiza sua vontade de fazer um filme político e um pouco da resistência do estúdio. “Tentei falar um pouco da política externa, falei da mídia extrema dos Estados Unidos. Fui fiel às ideias e não às formas. Consegui fazer um filme político, do jeito que queria. Acho que nos Estados Unidos os estúdios subestimam o público e fazem filmes mais simples. Só ver as séries que fazem sucesso lá como ‘Breaking Bad’. Os estúdios estão começando a mudar essa ideia”.

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O ator Joel Kinnamam, também incluiu-se entre os admiradores de Robocop e brincou com a preocupação da mãe, uma terapeuta, que ficava espantada com a quantidade de vezes que assistia ao filme quando criança, o que, segundo ele, o habilitava ao posto de novo Alex Murphy. Kinnaman, que tem origem sueca, destacou os conflitos e a densidade da história, que vai além da violência: “Embora o personagem tenha o mesmo nome, sua jornada é completamente diferente. José (Padilha) mostrou que era um personagem complexo, cheio de contrastes, e que passa por muitas fases. Quando busco um personagem para interpretar, a primeira coisa que observo são os contrastes, se ele se comporta de diferentes maneiras, e se há um grande desenvolvimento, e este é muito rico em todos os aspectos”, explicou, lembrando que o policial tem que lidar com a nova realidade ao despertar e descobrir que seu corpo já não é mais como antes.

Entre as maiores dificuldades destacadas pelo ator, está o uniforme e em como foi difícil separar a linguagem corporal da emocional: “Tem algumas dificuldades ao usar a roupa do Robocop. Os movimentos e a forma de demostrar emoção são diferentes. Tinha de separar a linguagem corporal com a emocional. A linguagem corporal é diferente. Foi desafiador, especialmente nas cenas mais emotivas, de ficar concentrado enquanto as pessoas fazem ajustes na roupa. Fico feliz de fazer esse personagem agora e não há dez anos. Acho que não estaria tão preparado”. Kinnaman criticou as refilmagens e de início pensou em recusar o convite para o papel, mas quando soube que o diretor era José Padilha ficou muito entusiasmado.

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Aparentemente a maioria do elenco do filme só aceitou o trabalho por causa de nosso inestimável diretor brasileira. Que é o caso de Michael Keaton, que nem assistiu ao primeiro Robocop. “Acho que fui uma das últimas peças do quebra-cabeça, mas vi os nomes confirmados no elenco, era fã dos atores e do diretor. Ótimos diretores sempre tornam o trabalho desafiador.”, elogia. “O Padilha é incapaz de fazer algo incomum. Está em seu DNA. Acredito que se ele fizesse Debi & Lóide sairia algo bem interessante.”, brinca o ator. Keaton ainda explica que abordagem para compor seu personagem foi exatamente do jeito que Padilha lhe apresentou. “Eu nunca vi o filme original, somente alguns trechos. Aliás, eu também não assisto meus filmes. Mas achei o resultado final emocionalmente surpreendente. Robocop é um filme filosoficamente e politicamente muito profundo.”

 Para a tristeza dos fãs (ou não) Padilha não pretende dirigir uma continuação, segundo ele “isso será problema do próximo diretor”. 

A trama de RoboCop se passa no ano de 2028, quando o conglomerado multinacional OmniCorp está no centro da tecnologia robótica. No exterior, seus drones têm sido usados para fins militares há anos, mas na América, seu uso foi proibido para a aplicação da lei. Agora a OmniCorp quer trazer sua controversa tecnologia para casa, e buscam uma oportunidade de ouro para fazer isso. Quando Alex Murphy (Joel Kinnaman) – um marido e pai amoroso, e um bom policial que faz seu melhor para conter a onda de crime e corrupção em Detroit – é gravemente ferido no cumprimento do dever, a OmniCorp vê sua chance para criar um oficial de polícia parte homem, parte robô. A OmniCorp prevê a implantação de um Robocop em cada cidade para assim gerar ainda mais bilhões para seus acionistas, mas eles não contavam com um fator: ainda há um homem dentro da máquina.

O elenco conta com Joel Kinnaman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson, Gary Oldman e Abbie Cornish. A produção é da Sony Pictures e da MGM.