Entrevista: Dave Fogler, responsável pelos efeitos visuais de Star Wars

Durante a VFX Rio tivemos a oportunidade de bater um papo com Dave Fogler, responsável pelos efeitos visuais de Star Wars – O Despertar da Força. Super solicito, Dave falou sobre o trabalho dos efeitos em certas sequências do filme, seu trabalho em Transformers 5, sua relação com o diretor Michael Bay e sua visão sobre o futuro dos efeitos visuais. Confira a entrevista.

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Qual é o maior desafio de se trabalhar em uma franquia grande como Star Wars?

Dave Fogler: Há tanta história em tudo que você faz. Sendo um artista de efeitos visuais constantemente você sempre tenta inventar, ir além dos limites. E apesar de termos feito isso, em Star Wars você tem que ser respeitoso e homenagear o que foi feito 40 anos atrás, é um equilíbrio bastante trabalhoso. Há uma linguagem visual nos filmes que é preciso ser mantida, e é um desafio e tanto.

Você estará trabalhando no episódio VIII?

DF: Talvez. Há muitos projetos de Star Wars à caminho. E a ILM (Industrial Light & Magic), como uma grande empresa, também presta serviços a outros projetos, e no momento eu estou supervisionando Transformers 5. Vamos pulando de projeto em projeto e eu espero poder voltar ao universo Star Wars. Quem sabe até por mais 10 anos (risos).

A trilogia anterior (episódios 1, 2 e 3) foi muito criticada pelo alto uso de cenários digitais. Como vocês fizeram para fugir disso no novo filme?

DF: Parte disso tem muito a ver com a época em que o filme foi feito. Eu trabalhei nesses episódios e nessa época a tecnologia digital estava começando e George Lucas, que é um pioneiro nesse campo, queria forçar a tecnologia. Então o que vemos nos filmes são exercícios muito ousados no uso da tecnologia. Agora, 15 anos depois, muitas daquelas ferramentas usadas já se estabeleceram em nosso trabalho, nos permitindo aproximar os efeitos visuais de certo padrão. E nós fomos muito conscientes em olhar não só a tecnologia que criamos nos episódios 1, 2 e 3, mas a identidade visual dos filmes originais e trazer um delicado equilíbrio entre a linguagem visual estabelecida na trilogia clássica e as ferramentas que temos à nossa disposição hoje para criar efeitos que deem apoio à história. J.J. Abrams [diretor do filme] tem um enorme senso de narrativa e queria muito trazer tal equilíbrio.

Vendo os extras do Blu-ray, uma das sequências que mais me chamou à atenção foi a sequência do voo das X-Wings.

DF: Para essa cena sempre foi necessário um estudo cuidadoso de como as naves funcionam.

Pois essas parecem muito mais potentes que as anteriores.

DF: Podemos dizer que muitas coisas em O Despertar da Força são iguais aos originais, mas também são “mais”. E foi o quanto desse “mais” que pensávamos muito, não podíamos ousar muito, pois não pareceria Star Wars. No caso das X-Wings, o modo como elas voavam e espirravam a água do lago, seria complicado demais fazer aquilo com miniaturas, como eram feitas nos filmes originais. E tanto J.J. quanto nós pensávamos “exageramos aqui? Ultrapassamos a linha em que isso não soa mais como Star Wars?”. Em cada tomada, em cada decisão, chegávamos a essa linha e fazíamos o mais legal que pudéssemos. Fizemos uma homenagem às X-Wings originais, mas também um pouco mais legais (risos).

Você falou muito de J.J. Abrams, fale um pouco de Michael Bay, com quem você já trabalhou tantas vezes e com filmes que usam muito de efeitos visuais.

DF: Esse [Transformers 5] é meu 7º trabalho com ele, e ninguém com quem trabalhei entende tanto a disciplina do nosso trabalho quanto Bay, ele é muito inteligente. E como um artista de efeitos visuais, você pode trabalhar com ele como se ele também fosse um artista de efeitos, pois ele sabe exatamente o que fazer e toma decisões muito inteligentes sobre nosso trabalho. Com diretores e cineastas que são de fora da nossa esfera, precisamos explicar como será nosso trabalho e como ele ficará no final, mas Bay sabe como ficará no final e é um grande parceiro, ele nos ajuda bastante em tocar esse desenvolvimento, pois ele compreende o processo. Seu conhecimento no processo todo é incomparável, ele filma, edita, ele faz tudo o que puder no set.

E o que podemos esperar em termos de inovação para o próximo filme?

DF: Com Michael Bay a palavra de ordem é tornar tudo maior e maior e maior. E estamos trabalhando para tornar este maior (risos). Vamos ver o quão “maior” conseguimos fazer este.

Como você vê a indústria de VFX no momento? Pois filmes menores, como Ex Machina, fizeram excelentes trabalhos.

DF: Sempre foi uma indústria muito dura, pequena, onde a competição é acirrada. Em um período relativamente pequeno se tornou bastante global, tenho certeza que várias empresas pensam assim também. E quando um artista trabalha de forma independente, ele fica pulando de projeto em projeto ao redor do mundo. Eu tive bastante sorte em trabalhar em uma mesma empresa por 20 anos, mas isso é incomum hoje em dia. Então o trabalho vai aonde o artista está, o que é bom, e também está mais espalhado do que costumava ser, o que também acho muito bom. E a competição só ajuda o ofício.