Relembrando: Jogos Vorazes

Estamos na reta de mais um final de uma franquia que fez (e por que não dizer faz) um estrondoso sucesso nos cinemas e arrastou inúmeros fãs às salas para ver a luta de Katniss contra a opressão. Mas o que fez Jogos Vorazes se destacar no meio de tantas outras adaptações de franquias literárias? Vamos relembrar o caminho traçado pelos filmes pelo olhar deste que vos escreve, que teve o seu primeiro contato com a obra apenas pelos filmes e se tornou fã da excelente história apresentada.

A princípio, quando vi o trailer do primeiro Jogos Vorazes, imaginei duas coisas: que seria mais uma espécie de Crepúsculo, no sentido de que há dois homens brigando pela atenção e afeto da personagem principal, e que toda a trilogia (a àquele ponto eu já sabia de que se tratava de uma trilogia) se passaria durante os jogos que dão título ao filme. Foi com uma grata surpresa que percebi como estava errado, sob ambos os aspectos.

*O texto a seguir contém SPOILERS dos filmes anteriores, então leia por sua conta e risco*

Muito mais do que um romance para jovens

No primeiro filme conhecemos o distópico mundo de Panem (nome vindo de “Panis et circenses”, uma referência direta à política dos antigos romanos para distrair o descontentamento do povo) onde seus 13 distritos, após um dado levante social, são obrigados a ceder dois jovens, um menino e uma menina, como um sacrifício para assim manter a paz e a ordem. Somos apresentados a esse mundo pelos olhos de Katniss Everdeen, garota do Distrito 12 que vive como pode em meio a pobreza e dificuldades, que se voluntaria para participar dos jogos e assim salvar a sua irmã.

É engraçado ver como os jogos são encarados pelos opressores da Capital e os oprimidos, ou seja, os distritos. Enquanto os primeiros celebram o novo Big Brother, os oprimidos não se sentem indo para as olimpíadas e sim como uma forma de sacrifício, onde 90% sabem que estão caminhando para a morte certa. E a um quê de poder, ferocidade, imponência e até mesmo medo no nome “Jogos Vorazes“.

O que Katniss não percebe é que os jogos começam desde o primeiro desfile, e aí que entra seu companheiro, o outro tributo Peeta. Ele sim percebeu que os jogos eram tanto uma batalha física quanto política, e se valeu desse segundo artifício para sobreviver em inúmeras ocasiões futuras. Enquanto Katniss se faz valer da rebeldia contra aquilo tudo, inclusive atirando uma flecha contra os patrocinadores a quem ela devia bajular, fato que já começa a atrair a atenção do Presidente Snow, que já começa a prever o perigo que Katniss pode vir a representar.

Por se tratar se uma obra para adolescentes fiquei impressionado com a primeira cena dos jogos. Jovens matando uns aos outros numa cena bastante forte. E é importante notar como, durante toda a trilogia, o trauma causado por toda a brutalidade dos jogos, em especial a morte da menina Rue, é algo que ela carregará para sempre. E contrariando a todos os sistemas, todas as regras, Katniss e Peeta saem como vencedor dos jogos.

As Consequências

O segundo filme começa dias após o primeiro, e se mostra muito mais político que o primeiro. Katniss e Peeta se tornam instrumentos da Capital para manter os Distritos calmos, coisa que não a agrada nem um pouco. Mas após um movimento falho de Katniss, é decidido que os próximos jogos, o Massacre Quaternário, reuniria os vencedores de todas as edições anteriores. Logo Katniss e Peeta tem que retornar à arena.

Aqui o Presidente Snow já deixa bem claro que a ameaça que Katniss poderia se tornar no primeiro filme se tornou um perigo real à Capital e a todo aquele modo de vida, visto que os outros Distritos vêem nela um exemplo, e no Tordo, uma inspiração para não mais aceitar serem submissos à vigente governo. A Capital não sabe responder de outra forma que não seja com força, às vezes até letal. E Snow manipula as regras dos jogos para que Katniss não saia viva de forma alguma.

Aqui vemos também como a relação Katniss-Peeta se expande, como um começa a lutar para proteger ao outro mais do que a si mesmo. E ambos formam importantes alianças, com Finnick Odair, Beetee e Johanna Mason, todos com os mesmos objetivos de sair vivos dali. E num ato de desespero durante os jogos, Katniss atira uma flecha elétrica no campo de força da arena, e sem saber, é resgatada e toma conhecimento de um plano muito maior acontecendo, uma revolução que estava por nascer e precisava de uma líder.

O Início da Revolução

Nunca fui muito a favor dessa divisão de últimos livros, coisas que tem se tornado hábito em Hollywood onde, à rara exceção que foi o último Harry Potter, se mostra apenas por motivos financeiros.

Katniss acorda no distrito 13, que era tomado como dizimado e inexistente, agora é a base definitiva para a revolução contra a Capital, e é comandada por Alma Coin, uma líder tão forte quanto Snow. E agora não há mais como voltar atrás, a revolução já é uma realidade, com todos os distritos em guerra. E Katniss se torna o símbolo dessa revolução, e isso significa muito mais do que simplesmente lutar. Se Jogos Vorazes é visto como uma plataforma política tanto para a Capital como para os Rebeldes, essa parte 1 seria uma espécie de propaganda eleitoral de duas horas de duração, com direito à gritos de guerra, produções de comerciais e cantos inspiradores.

Em meio a tudo isso, Katniss descobre que Peeta, a quem julgava morto, está vivo e passa a fazer de tudo para salvá-lo, e Gale o resgata da Capital. Apenas para descobrirem que Peeta sofreu uma poderosa lavagem cerebral e quase matou Katniss, mas foi impedido.

E o que nos espera nessa parte final? Quem vive? Quem morre? Os shippers vão poder saber quem ganhará o coração de Katniss no final, Peeta ou Gale (tá certo que não falei muito disso, mas esse também é um tema muito presente na história). O certo é que nem acabou e Jogos Vorazes já se prepara para deixar milhões de fãs órfãos.