Crítica: 360

Galera de uns tempos pra cá tem surgido muito materia em que mostra como estamos de algum modo conectados, como nossas ações podem ter consequências boas ou ruins na vida de pessoas que nunca sequer conhecemos ou vimos, e é basicamente isso que Fernando Meirelles mostra em 360. Depois de O Jardineiro Fiel e Ensaios sobre a Cegueira (filme altamente injustiçado, mas que eu me amarro), o diretor resolveu investir, nessa sua terceira produçao internacional, numa história de teor mais íntimo, onde o principal problema e solução somos nós mesmos.

E o nome do filme não é a toa, pois tudo começa a partir da moça (Lucia Siposová) que resolve entrar para a “vida fácil” da prostituição (nunca soube o por quê desse apelido, não deve ser nada fácil. Mas estou divagando…) e seu primeiro encontro é com um vendedor de auto peças (Jude Law) à visita na cidade, que pensa se deve ou naõ se manter fiel à sua esposa (Rachel Weisz). A partir daí, somos apresentados à diversas histórias, que nos mostram como, direta ou indiretamente, nossas escolhas afetam aqueles a quem conhecemos, e retornando em 360 graus ao ponto onde a história começou.

O principal lance de 360 é você perceber que é um filme que não tem aquilo que nós entendemos como um “final” para as histórias. Cada um arca com as suas escolhas e segue suas vidas, tentando ser pessoas melhores. Alguns conseguem, outros não. O elenco internacional dá muita credibilidade nesse tipo de história, e todas as histórias são bem interessantes, sendo a melhor o arco com Anthony Hopkins. A cena da reunião do AA é um show à parte, prova da alta performance do ator, que já não precisa provar nada pra ninguém, mas ainda assim equilibra perfeitamente sensibilidade sem fazer da cena uma “novela mexicana”. Os brazucas Juliano Cazarré e Maria Flor também merecem destaque, mandaram muito bem.

O roteiro de Peter Morgan (O Discurso do Rei), inspirado na peça La Ronde de Arthur Schnitzler, amarra bem as histórias e tenta dar um “fim” digno aos personagens, tornando 360 um filme legal, com ótimas atuações e vai te botar pra pensar sobre essa tal “comunidade global”. Infelizmente o filme foi um tanto mal-recebido no mercado internacional, mas nãõ tire conclusões precipitadas. 360 é um filme que sim, vale a pena ser visto, pelas suas excelentes atuações e vai te deixar curioso sobre a tal “comunidade global”.

 

360, Reino Unido/Áustria/França/Brasil, 2011 – 110 min.

Elenco: Jude Law, Rachel Weizs, Maria Flor, Anthony Hopkins, Juliano Cazarré, Ben Foster.

Direção: Fernando Meirelles.