Crítica: Além da Liberdade

Filmes baseados em fatos reais são complicados e particularmente não me chamam muita atenção (não curto ir pra um cinema pra refletir, mas sim pra me divertir) mas de vez em quando me permito algo diferente, pra fugir um pouco das explosões e “cenas mentirosas” do cinema pipoca. E quando vi o trailer de Além da Liberdade (The Lady), fiquei curioso por que geralmente só conheço o trabalho do francês Luc Besson em filmes de ação (que são sempre excelentes diversões), e resolvi dar uma chance a história de Aung San Suu Kyi e sua luta para libertar seu país natal, a Birmânia, da tirania dos militares.

O filme começa mostrando como a então menina Aung San perdeu seu pai em um golpe militar em 1947, que o tornou um mártir da democracia para o povo Birmanês. 41 anos se passaram, agora Aung San (Michelle Yeoh) está casada com o professor britânico Michael Aris (David Thewlis, o Lupin da série Harry Potter) e é mãe de dois filhos, mas ainda possui fortes raízes com sua terra natal, e ao retornar a Birmânia para cuidar de sua mãe, doente terminal, ela vê que a linda terra da qual seu pai lhe falava quando era criança agora se transformou num lugar onde as pessoas são mal tratadas e torturadas pelo regime militar vigente e, com a retirada do General Ne Win, o povo pede para que ela os represente e os lidere em busca da tão sonhada democracia. Uma luta que lhe rendeu muito sofrimento, uma prisão domiciliar e um prêmio Nobel da Paz.

Michele Yeoh mostra a força de caráter e a sensibilidade que o papel exige, e o faz com perfeição. A cena em que ela enfrenta as armas dos militares (que estampa o cartaz do filme) e suas cenas com a família e especialmente com o marido mostram isso. Os coadjuvantes também não ficam atrás, David Thewlis demonstra o desespero de estar longe da mulher tanto tempo e ainda ter a tarefa de criar os filhos. Luc Besson não poupa a platéia do terror que era a vida dos birmaneses diante dos militares, a cena da invasão ao hospital já mostra isso. Mas também manda bem no drama dos personagens. Acredito que, junto com Flores do Oriente, este seja um forte concorrente ao Oscar.

Encerrando com Sade tocando “Soldier of Love”, Além da Liberdade mostra dois retratos: o da mulher que foi um exemplo para o mundo ao sacrificar tudo pelo seu país e o do lindo país que sofre e sangra devido ao regime militar imposto ao seu povo. Um bom filme para se conhecer um pouco da história birmanesa, afinal muito provavelmente nossos filhos vão estudar isso nos livros de história.

 

The Lady, Reino Unido/França, 2012, 132 min.

Elenco: Michele Yeoh, David Thewlis, Benedict Wong.

Direção: Luc Besson.