Crítica: As Aventuras de Tintim

Para começar, falar de Tintim é recordar da infância (e de tempos mais simples), e depois de assistir a uma sessão dublada de As Aventuras de Tintim, fica impossível de não passar por um “momento nostalgia”. A voz do Tintim é a mesma do desenho da TV!

Agora, deixando o fanboy um pouco de lado e analisando melhor o filme, As Aventuras de Tintim é uma obra incrível tanto tecnicamente quanto visualmente e uma bela homenagem ao personagem criado por Hergé. Ele tem tudo para agradar aos antigos fãs, mas pode não ter o mesmo efeito em quem nunca ouviu falar de Tintim ou Milu, perdendo a chance de ganhar novos fãs. Isso, muito provavelmente, foi o motivo do filme não ter ido bem nas bilheterias nos EUA, onde o personagem nunca foi muito popular.

Quem já conhecia o personagem antes de entrar na sala de cinema, vai perceber logo no início a bela e inteligente homenagem do diretor Steven Spielberg ao criador do personagem, o quadrinista belga Hergé, na cena em que somos apresentados aos protagonistas, o jovem repórter Tintim e seu esperto cachorro Milu. Agora, se você nunca ouviu falar deles antes, esta cena vai passar batida.

Na trama, a curiosidade do destemido repórter e a esperteza de seu cachorro levam os dois companheiros a uma sombria investigação envolvendo uma réplica do misterioso navio Licorne, que desapareceu em alto mar sem deixar vestígios e que esconde um grande segredo. Os mistérios por trás da embarcação despertam não só o interesse do jovem repórter, como também do colecionador Ivan Sakharine, o que logo coloca Tintim e Milu em uma perigosa aventura ao lado do beberrão (e impagável) Capitão Haddock e dos atrapalhados detetives Dupont e Dupond.

É exatamente no desenvolvimento dos personagens que está o único problema de As Aventuras de Tintim. O roteiro não investe muito tempo apresentando Tintim ao novo público e não desenvolve muito bem o personagem ao longo da trama. Assim, o protagonista não consegue ser carismático o suficiente para ganhar o público que não o conhecia antes do filme. Quem consegue ter mais êxito são os coadjuvantes, principalmente o Capitão Haddock, que é melhor desenvolvido, e talvez, por ser o maior responsável pelas cenas de humor, consiga cativar mais o público (as crianças, ao menos, caiam na gargalhada com as presepadas do beberrão).

Falando nas cenas de humor, o roteiro soube dosar bem ação e humor, o que faz com que os diálogos inspirados entre Tintim e o Capitão Haddock, e até os caricatos Dupond e Dupont divirtam todas as geraçõs entre as numerosas e intensas cenas de ação. O que pode incomodar as gerações mais novas são os bordões nostálgicos de Tintim, afinal, quem é que grita “papagaio louro!” hoje em dia, mas foi uma decisão acertadíssima mantê-los no filme.

As intensas cenas de ação, os divertidos e leves momentos de humor e até a trilha sonora de John Williams são pontos fortes no filme. Mas com certeza, o melhor está mesmo no visual impressionante. O diretor Steven Spielberg e o produtor Peter Jackson conseguiram nos apresentar uma obra tecnicamente perfeita, que mesmo beirando o realismo, ainda mantém o tom cartunesco dos desenhos de Hergé. Seus personagens ganharam vida no cinema graças à evolução da técnica de captura de movimentos, às atuações de atores como Jamie Bell (Tintim) e Andy Serkis (Haddock), e a todos os envolvidos no filme, que souberam usar o que há de mais moderno e repeitaram o material original que serviu de base para contar As Aventuras de Tintim (Spielberg manteve até o Tintim usando armas de fogo!).

Enfim, se você é fã de Tintim, pode ir até o cinema mais próximo para conferir o filme, porque você dificilmente vai se arrepender. Se você não conhece este intrépido repórter, pense no filme como o melhor trabalho realizado por Steven Spielberg nos últimos anos, e veja se vale o ingresso ou não.

E vá se preparando, pois já anunciaram a intenção de fazer mais duas sequências, uma dirigida por Peter Jackson e a outra com o retorno de Spielberg para fechar a trilogia.