Crítica: Batman – A Piada Mortal

No final dos anos 80, o escritor Alan Moore entregou a uma geração lindas histórias com os personagens mais icônicos da DC Comics, histórias essas que perduram até hoje como clássicos da editora. Mas no meio de tantas interpretações desses personagens, uma se destacou: Batman – A Piada Mortal. Nela, Moore escreveu sobre o derradeiro combate entre o Batman e o Coringa. Agora, a Warner Animation produziu uma animação baseada na história, para deleite dos fãs da obra. No entanto, a animação não traz a mesma força da HQ.

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ENTENDENDO A IMPORTÂNCIA DA HQ

Como disse acima, o longa mostra o derradeiro combate entre o Batman e seu arqui-inimigo palhaço do crime, mas também é muito mais do que isso. Devido aos seus traumáticos acontecimentos, o que era para ser uma história à parte da linha principal dos quadrinhos, se tornou parte fundamental das histórias do Batman, principalmente pelo acontecido à Barbara Gordon nessa história, fato que transformaria para sempre a personagem. A Piada Mortal também mostra o mais próximo que se tem, em todos os 75 anos de história, de uma origem para o Coringa, fato que Moore usou como motivador do personagem para essa história de que, não importa o quão centrados e sãos todos somos, estamos todos apenas a um dia ruim de ficarmos insanos.

A ANIMAÇÃO

Eu tenho um problema muito sério com esses longas animados da DC. Acho que como elas se restringem a um tempo (em média esses longas não chegam a 90 minutos), elas suprimem a ideia central de ótimas histórias das HQ’s. E aqui não foi diferente. O filme começa com um prólogo focado na Batgirl, no que viria a ser seu último caso ao lado do Batman. Mas isso toma um tempo enorme, e meio que seu propósito falha no todo, porque só serve para que você se importe com ela quando acontece a tragédia mais à frente da história.

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A história do Coringa é mostrada sem a maior importância, apenas apresenta um cara que estava tendo problemas em se firmar na vida. Um aspecto importante das obras de Moore  são as sutilezas, que na HQ é mais notável e que a animação não reproduz, tornando tudo bastante superficial. Os enquadramentos de Brian Bolland transitando entre o que o Coringa foi e no que ele se tornou, um quê de tragédia permeando todos os quadros que aqui fica simplista demais, logo essa simplicidade reflete nas ações dos personagens, tornando-as vazias. Mas pelo menos as interpretações das marcantes vozes originais de Kevin Conroy como Batman e Mark Hammil como Coringa são um show à parte.

O que realmente é uma pena, ver uma HQ tão simbólica no legado do Homem-Morcego ser traduzida para uma animação simplesmente legal mas que se torna apenas mais uma em meio às outras do universo DC.