Crítica: Branca de Neve e o Caçador

Galera, esse ano tivemos o que chamei de “A Batalha das Brancas de Neve”. É porque, embora ambos os filmes fossem reinterpretações do clássico da Disney, de um lado tínhamos uma Branca de Neve mais voltada para a comédia e agora do outro vem o objeto desta crítica, Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman), com a mesma pegada do mundo de fantasia, mas sendo apresentado de modo mais real e violento, lembrando o conto original dos Irmãos Grimm. Mas ambos se assemelham no mesmo ponto: a Madrasta rouba o filme!

Mas deixamos a comédia de lado e falemos deste que nos interessa. Logo no começo, somos apresentados à Branca de Neve e como as coisas eram lindas no seu reino até a fatídica morte de sua mãe (Liberty Ross). E durante uma batalha, o desiludido Rei (Noah Huntley) encontra como prisioneira Ravenna (Charlize Theron) e a leva para ser sua Rainha. Mas tudo não passou de uma armadilha onde Ravenna, após o casamento, mata o Rei e toma o reino para si e faz de Branca de Neve sua prisioneira. Passam-se os anos e a Rainha descobre que Branca de Neve (Kristen Stewart) pode acabar com seu poder e decide matá-la, mas a gazela foge e a Rainha chama o Caçador (Chris Hemsworth) para achá-la, mas quando ele descobre a importância da menina, ele decide protegê-la.

O filme tem suas qualidades, mas tem defeitos que incomodam bastante, e o roteiro está nas duas categorias. Ele caminha muito bem nas linhas gerais, mostrando a situação da guerra e como as coisas se encontram após o golpe de estado da Rainha. Mas como fala o ditado “O Diabo mora nos detalhes” e os detalhes aqui são os personagens, principalmente os homens. Parece que só o Caçador que foi agraciado com um mínimo de explicação. William (Sam Claffin), que parecia ser o interesse romântico da Branquinha de Neve, não acrescenta em nada na trama e só fica como o rostinho bonito que sabe usar um Arco e Flecha (arma que, aliás, virou moda nos filme de Hollywood). E vou defender Stewart agora, porque acho que os rosteiristas devem achar que colocá-la dividida entre dois homens vai chamar a atenção das meninas para os filmes, e ela até que tem um mínimo de presença e se não ajuda, pelo menos não prejudica o filme.

Mas vamos por um instante esquecer de que a Charlize Theron deveria de fato se preocupar por não ser mais bela que Kristen Stewart. Theron embarcou mesmo no clima de “vilã de contos de fada” e interpreta uma Rainha com todo seu poder, maldade e imponência. É de longe a melhor personagem do filme, ganhando até uma motivaçaõ e um passado para explicar seus atos e sua vontade de ser “A mais bela de todas”. E se você está se perguntando “tem os sete anões no filme ?” a resposta é sim, mas não aqueles engraçadinhos que saem cantando “churi churi chun clain” (ih foi mal, isso é outra coisa…). Aqui eles são tipo uma gangue de assaltantes barra pesada e bons de briga, também são muito legais.

Bem, o filme é visualemente muito bonito e acertaram em trazer o tom de contos de fada pra um lado mais “suspense”. Mas a ação é falha e transforma Branca de Neve de “inocente vítima” a “líder destemida” de uma hora para outra, sem pé nem cabeça. Mas são coisas que “no grande plano geral” incomodam mas não prejudicam de todo, eu até curti o filme. E o final dá uma super brecha para uma sequência, que Hemsworth já disse estarem trabalhando num roteiro, e não acho isso uma coisa boa. Gostei do filme, só não sei se veria por uma segunda vez. E dito isso vou curtir o “churi churi chun clain”.

 

Snow White and the Huntsman, EUA, 2012 – 127 min.

Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Sam Claffin, Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone.

Direção: Rupert Sanders.