Crítica: Ela

Se até alguns anos atrás as máquinas retratadas nos filmes eram inteligentes, porém sanguinárias e iriam dominar o mundo, Spike Jonze mostra uma versão mais humanizada dessa tecnologia. E se as máquinas também pudessem amar e serem amadas? Há alguns anos atrás seria chamado de ficção científica, hoje em dia chamamos de uma possibilidade bem real.

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Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que depois de se separar de sua mulher, não consegue mais amar ninguém. Até que um dia resolve comprar um novo sistema operacional para seu computador, uma inteligência artificial que pode ser programa para atender as necessidades do consumidor e ter uma personalidade compatível com a do dono.  Após o passar do tempo juntos, Theodore acaba se apaixonando pelo sistema operacional, Samatha (Scarlet Johansson) e tendo que lidar com os desafios e complexidades de um romance, mútuo, com um ‘’computador’’.

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Que filme fantástico! É um filme delicado, sutil e até mesmo engraçado, que nos faz refletir sobre o nosso relacionamento com a tecnologia, e até onde ele pode ir. Se Scarlet Johansson já aparenta ser perfeita, imagina tendo uma personalidade como a de Samantha: Criada para ser o que o dono precisa, simpática, sexy e engraçada. Fica difícil assim para as pobres mortais, né? Eu sei que parece um pouco estranho um roteiro baseado em um amor virtual, porém, o filme retrata essa paixão de maneira tão simples e real, que você se apaixona pela Samantha também, e torce para que o casal principal tenha um final feliz (na medida do possível). O diretor faz você acreditar nesse amor, e pensar sobre seus próprios relacionamentos. Joaquin Phoenix está incrível no papel, e com uma aparência quase irreconhecível, e Scarlet está mais maravilhosa do que nunca como atriz, pois somente pela sua voz passa toda a emoção e complexidade que sua personagem tem. É um filme impossível de sair do cinema e não pensar sobre ele, e refletir sobre as mensagens passadas. Ah, e a trilha sonora também é incrível!

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Já adianto que não é um filme que todo mundo vai gostar, não é feito para ser um blockbuster. Mas se você gosta de filmes que emocionam de uma maneira não óbvia, de diálogos profundos e de personagens marcantes: Esse filme é pra você! Eu estou apaixonada pela história e pela maneira triste e sensível como é contada… talvez você se apaixone pelo filme também (ou pelo seu smartphone).

Her,EUA, 2014 – 126 min.

Elenco: Joaquin Phoenix, Scarlet Johansson, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilde, Chris Pratt, Matt Letscher, Portia Doubleday, Sam Jaeger

Direção: Spike Jonze