Crítica: Elysium

Sempre que vejo filmes de um futuro pós-apocalíptico fico imaginando que aquele futuro das telas possa vir a se tornar o nosso futuro real. Mas como o próprio Wagner Moura disse (ainda não leu a nossa conversa com os atores?), Elysium está mais para uma reflexão do que uma previsão de como as coisas podem vir a ser, disfarçado de filme pipoca, afinal, cinema pode ao mesmo tempo divertir e te fazer pensar. Mas será que o novo filme do diretor Neil Blomkamp consegue equilibrar esses dois lados?

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Bem, no filme estamos nesse futuro de 2154, onde a Terra está largada e aqui só ficaram as pessoas pobres, entre trabalhadores e bandidos, e os necessitados. Aqueles com maior poder aquisitivo, quando as coisas começaram a ficar insustentáveis por aqui, criaram uma estação espacial na órbita do nosso planetinha nem tanto azul, de nome Elysium, pois a estação foi criada para ser o verdadeiro paraíso, livre de todo e qualquer mal que assola a humanidade, como doenças e violência. No mundinho lá de baixo vive Max (Matt Damon), operário de uma fábrica construtora de robôs que, assim como todos que moram na Terra, sonha um dia ir para Elysium. Mas quando ele sofre um acidente na fábrica, ir para Elysium se torna a salvação de Max, que tem que fazer qualquer coisa para chegar na estação espacial.

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Blomkamp divide o filme em três atos: no primeiro ele nos apresenta os dois mundos, e ao mostrar as disparidades exarcebadas de ambas as realidades, o diretor mostra que aquilo que vemos na tela não é tão diferente do que vemos no nosso dia a dia: um sistema de saúde falido para os necessitados, e tudo do bom e do melhor para os ricos, além da proibição da entrada dos necessitados no paraíso.

No lado dos necessitados, Damon faz uma atuação bem normal, o básico para entregar um bom filme. Para defender o status quo de Elysium, uma Jodie Foster ditadora, com ares de Condoleezza Rice. Mas o destaque fica mesmo para o elenco de apoio. Sharlto Copley faz um vilão tão sádico que vai te provocar claras reações de raiva contra o personagem. Os brazucas Alice Braga, como a enfermeira interesse romântico de Max, Frey, entrega algo habitual das suas atuações internacionais – o que é ótimo -, e Wagner Moura manda muito bem como o rebelde Spider. Eu até achei que, sendo o primeiro filme internacional do ator, ele fosse ter menos destaque, mas o Moura acaba por ser peça importante na trama do filme.

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Elysium pode não apresentar muitas novidades na sua trama, mas nem por isso deixa de ser um filme no mínimo divertido que, embora fique um pouco morno em certo ponto, pode até te fazer pensar sobre a realidade em que vivemos. Então sim, vale o ingresso, nem que seja para você imaginar se haverá uma sequência quando ver o final.

 

Elysium, EUA, 2013 – 102 min.

Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Alice Braga, Wagner Moura, Diego Luna, William Fitchner.

Direção: Neil Blomkamp.