Crítica: Inferno

Aposto que você deve estar querendo saber se esta é uma adaptação melhor do que O Código da Vinci ou Anjos e Demônios, ou se é fiel ao livro homônimo do escritor Dan Brown. Antes de mais nada, eu já aviso que NÃO TENHO A MENOR IDEIA. Não vi os filmes anteriores e muito menos li os livros que serviram de base para eles. Só que, no fim das contas, isso pode ter sido algo positivo, já que Inferno conseguiu me prender, mesmo sem nenhuma expectativa.

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Neste novo capítulo na vida do professor Robert Langdon (Tom Hanks), ele acorda num quarto de hospital em Florença, sem memória do que aconteceu nos últimos dias e se encontra tendo que resolver um novo enigma numa corrida para salvar a população mundial de uma praga mortal. Para esta ingrata missão, Langdon contará com ajuda da Dra. Sienna Brooks (Felicity Jones), uma jovem médica com grande interesse em seus trabalhos e quase tão boa em resolver quebra-cabeças quanto o professor.

Ah, mas ele já teve que resolver enigmas nos outros filmes! De novo essa história? Sim, de novo. E é isso que eu quis dizer no começo deste texto: o desconhecimento quase total do que veio antes foi favorável e o filme acabou sendo bem interessante. A trama do vírus mortal prestes a ser liberado pode nem ser tão original, mas ver o personagem do Hanks seguindo as pistas deixadas pelo caminho consegue prender a atenção, como uma boa história de detetive. E como numa boa trama deste tipo, as reviravoltas surpreendentes estão presentes, mas não parecem forçadas. Pelo contrário, até ajudam a entender o motivo de todos os enigmas existirem no contexto do filme (o que pra mim não fazia sentido até o momento da reviravolta).

Para levar a história, os personagens, pelo menos os dois principais, cumprem suas funções. Ainda que o elenco não tenha atuações brilhantes, a química entre Hanks e Felicity Jones funciona, e é bom ver que a personagem da doutora tem mais função do que apenas ser a ajudante do protagonista, ou o rostinho bonito no cartaz do filme. Já na parte técnica, o diretor Ron Howard faz um trabalho competente e consegue manter o ritmo de urgência até os últimos momentos do filme, alternando entre perseguições com drones e visões bizarras do fim do mundo (que provavelmente torraram grande parte do orçamento destinado aos efeitos especiais).

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No fim, Inferno é um filme divertido e interessante de se assistir. Quem nunca viu nada da franquia, talvez goste mais por conta da sensação de novidade. Para quem já viu os filmes anteriores e conhece o trabalho do escritor Dan Brown, talvez seja apenas mais do mesmo. Ainda assim, vale a conferida. Mesmo que seja apenas para comparar e dizer qual é a melhor das três adaptações.