Crítica: O Espetacular Homem-Aranha

Vou logo avisando, essa crítica vem de alguém que há 14 anos compra as revistas do Homem-Aranha e não perdeu nenhum número. Sou fã de carteirinha e digo que O Espetacular Homem-Aranha agrada, diverte e dá um novo pontapé na vida do Cabeça de teia do Cinema.

Depois da tragédia (sentimento de fã) que foi Homem Aranha 3, com um Venom apagado e um Parker Emo, resolveram pendurar as chuteiras do Sam Raimi e começar tudo de novo. Admito que fiquei com medo quando fiquei sabendo do reboot, mas também ansioso e o resultado… Falemos do resultado.

A Sony achou melhor contar a “história nunca contada” do Herói, explorando o passado dos pais de Peter, que depois de desaparecerem em um acidente, deixam o menino na casa de seus tios Ben e May Parker.

Nesse recomeço temos um Peter Parker (Andrew Garfield) um pouco diferente da sua origem nas HQs e da trilogia original (não convém muita comparação, pois são ideias distintas, então não perca o seu tempo tentando compará-las), ele está mais esperto, enfrenta os valentões do colégio (mas continua apanhando no final), anda de skate e usa lentes de contato. Continua sem jeito para lidar com as mulheres e sem dinheiro. Aliás, palmas para Andrew Garfield, o cara manda muito bem como Aranha, com as piadas e tudo, ele realmente se mostrou como o Homem Aranha – versão Ultimate – sem duvida um dos pontos positivos do filme. Outra que ficou ótima foi Emma Stone como Gwen Stacy, tanto no visual (estava igual aos quadrinhos) como no “jeito” da personagem: inteligente, doce e corajosa.  Martin Sheen e Sally Field cumprem bem os papeis de Tio Ben e Tia May, guiando Peter para o “caminho da Luz”.

Como não pode faltar em um filme de herói, o vilão escolhido foi o Lagarto (Rhys Ifans), alter ego de Curt Connors, que na trama trabalhava com os pais de Peter na Oscorp desenvolvendo um soro que tinha como premissa curar todas as doenças, mas que devido a um erro na equação, não fica completo. Ele ajuda a fluir a história, mesmo longe da sua origem, e cumpre o papel como antagonista, garantindo ótimas cenas de ação nas lutas entre eles (destaque para a luta no Colégio) .

O filme:

Tentando chegar em algo mais ou menos na pegada de Batman Begins, onde se reconta a origem do herói sobre um outro ponto de vista, mostrando mais o porque Peter vira o Homem-Aranha, aceitando a responsabilidade dos seus poderes, tentando entender o que aconteceu aos seus pais e aprendendo a  lidar com as consequências de seus atos. Falando assim parece que teríamos um filme profundo, mas não, ele é bem raso, mas sem deixar de ser divertido…

Diferente do Morcego, aqui não se perde muito tempo mostrando como ele monta o uniforme, e os lançadores de teia (amados pelos fãs) estão presentes (temos algumas cenas que mostram a construção deles). Agora o fluido de teia foi demais, quase soltei umas palavras de baixo calão, Peter os compra via Amazon, se fosse pra ser assim era melhor ter ficado com as malditas teias orgânicas. Não temos o adorado e rabugento J.J. Jameson (o Clarim mesmo só aparece uma vez no filme) e a figura opositora que joga a opinião publica contra o Aranha acaba sendo o Capitão Stacy (Denis Leary).

Marc Webb manda bem na direção do longa. Com a sua habilidade de fazer fluir os diálogos, ele consegue inserir o seu estilo leve e algumas sequências do casal são simples mas condizentes com ambos. O diálogo sem jeito deles no corredor da escola logo depois do Tio Ben deixa-los em saia justa ou a cena do primeiro beijo (com lançador e tudo) são bonitinhas.

Resumindo, O Espetacular Homem-Aranha conseguiu dar um novo inicio à franquia, pelo menos mais dois filmes devem vir para fechar essa Trilogia e mostrar a “História não Contada”, focando nos pais de Peter e nas consequências das escolhas dele. Agora só nos resta aguardar os próximos, que pela cena pós-créditos já tenho minha suspeitas de quem vem por aí.

Abraços e até a próxima!!!!

The Amazing Spider-Man
EUA , 2012 – 136 min.

Direção:
Marc Webb

Elenco:
Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Martin Sheen, Sally Field, Denis Leary, Irrfan Khan, Chris Zylka.