Crítica: O Legado Bourne

Em tempos que James Bond andava mal das pernas, surgiu um novo personagem que, com sucesso, caiu nas graças do público. Seu nome: Jason Bourne, que com sua busca por vingança contra a organização que roubou sua identidade, matou sua mulher e enviou vários assassinos para matá-lo, conseguiu uma espécie de “fuga” disso tudo e ainda expôs a verdade para derrubar a CIA. Mas sem os principais responsáveis pelo sucesso da franquia, o ator Matt Damom e o diretor Paul Greengrass, o que podemos esperar desse novo capítulo da franquia ?

“O Legado” do título trata justamente sobre isso. Bourne iniciou um incêndio, aqui vemos as consequências desse incêndio e como a CIA tem que lhe dar com a situação, inclusive disposta a abrir mão de seus novos projetos nesse campo. Logo, o diretor Eric Byer (Edward Norton) decide que uma limpeza é necessária, e por “limpeza” você entendeu o que eu quis dizer. Parafraseando Tropa de Elite, “entregando a mão para salvar o braço”. E é nessa situação em que somos apresentados ao novo herói da franquia, Aaron Cross (Jeremy Renner), que após escapar de um atentado a sua vida, decide fugir e se esconder ao máximo daquilo tudo. E vai contar com a ajuda da Dr. Marta Shearing (Rachel Weisz), que também está em fuga pelos mesmos motivos, pra escapar de seus perseguidores.

Bem, sem Greengrass pra continuar o excelente trabalho, coube a Tony Gilroy a tarefa de contar essa nova história, e ele o faz com perfeição. Por ter sido roteirista da trilogia anterior (e desse aqui também), Gilroy já conhecia a base da história anterior e criou esta nova sem desreipeitar e nem alterar nada que vimos anteriormente, muito pelo contrário, permanece com a mesma adrenalina e a câmera tremida estabelecida por Greengrass desde A Supremacia. Aconselho vocês a verem O Ultimato antes de irem ver O Legado, pois eles se completam muito bem, e o fato de Joan Allen e David Strathairn voltarem aos seus personagens só dá credibilidade. Mas vamos as novidades, Jeremy Renner é mais simpático como herói do que Matt Damom e apesar de não ser Jason Bourne, bate tanto quanto. Rachel Weisz está longe de ser a “mocinha em perigo”, acho que desde “A Múmia” não via ela correndo tanto.

Diferente do primeiro filme (A Identidade), onde há um final estabelecido (mesmo que aquele “felizes para sempre” fosse só a calmaria antes da tempestade”, O Legado Bourne foi visivelmente trabalhado para ser uma peça de um quebra-cabeças bem maior, onde muita sujeira ainda vai ser revelada e quem sabe Aaron Cross possa contar com a ajuda de Jason Bourne, e quem sabe rola A Sanção Bourne, ou A Dominação Bourne ? Ah, e Se Vale o Ingresso ? Com Certeza.

 

The Bourne Legacy, EUA, 2012 – 135 min.

Elenco: Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Scott Gleen, Joan Allen, Albert Finney, Oscar Isaacs e David Strathain.

Direção: Tony Gilroy.