Crítica: O Vingador do Futuro

Galera, “remake” é a palavra de ordem em Hollywood, e isso não é de hoje. Mas “a pulga atrás da orelha” surge quando o remake em questão é de um filme cujo original nós vimos quando mais novos e esse original se torna um filme cult, por algumas cenas e situações em que ele é lembrado, e foi com esse pensamento que eu fui assistir O Vingador do Futuro (Total Recall). Mas no final a pergunta é sempre a mesma: “É melhor que o original?”.

Mas primeiro vamos a história da fita. O nosso planetinha não é mais tão azul como o conhecemos, e são pouquíssimos os lugares que podem ser habitados, os principais sendo a Federação Unida da Bretanha (uma Inglaterra mais High-Tec), onde vivem os mais afortunados (leia-se “a playboyzada”) e a Colônia (um misto de favela com ChinaTown), onde vivem os trabalhadores e mais necessitados (leia-se “os pobres”). E na Colônia conhecemos Douglas Quaid (Colin Farell entrando no papel que foi de Arnold Schwarzenneger), operário casado com Lori (Kate Beckinsale, linda “de vezes”) que sofre noite após noite com sonhos estranhos e fica decepcionado após lhe ter sido negada uma promoção no trabalho. Até que Quaid vê uma propaganda da Recall, empresa que implanta memórias em sua mente e, um tanto cansado da rotina diária, resolve se aventurar no experimento mas o procedimento sai errado e Quaid se torna um fugitivo da polícia controlada por Cohaagen (Bryan Cranston). Agora ele conta com a ajuda de Melina (Jessica Biel) não só para descobrir a sua identidade, mas também para descobrir seu papel em tudo que está acontecendo.

Vamos começar respondendo a pergunta do primeiro parágrafo: eu achei o original melhor, mas não quer dizer que achei este ruim. Pelo contrário, quem não conhece o primeiro filme vai curtir muito. Até quem conhece é capaz de gostar mais desse do que o primeiro, por que este corrige certas coisas que o primeiro talvez não tenha se preocupado. Primeiro, o mundo. Este não se passa em Marte, mas apresenta o mesmo problema de segregação entre as classes da mesma forma, mas de forma mais convincente  e sem nenhuma das criaturas bizarras que aparecem no primeiro filme, como o profeta, que aqui é substituido por Bill Nighy e não tem os tais poderes psíquicos que tinha, mas fica tranquilo que ainda teve espaço pra famosa “mulher de três peitos (bem mais gostosa que a original). E gostei de como a Colônia foi retratada, bem suja e urbana, dá mais credibilidade à aquele futuro. Segundo, a ação. Len Wiseman deixa bem a sua marca de adrenalina na ação, como fez com Duro de Matar 4.0. E também o roteiro dá várias dicas sobre a personalidade de Quaid, como na cena em que ele está indo trabalhar e está lendo “O Espião que me amava”, clássico do 007 e dá mais urgência ao vídeo em que Quaid deixa pra si mesmo, totalmente diferente do original.

Aliás parando pra ver, se você pegar apenas a base da história este é um filme totalmente diferente do original, principalmente a esposa Lori, que teve seu papel agregado ao do policial Richter do original, para ela aparecer mais na ação do que a personagem interpretada por Sharon Stone, tornando Beckinsale extremamente sexy e fatal (ou seja, a melhor personagem do filme). E o resto do elenco manda bem, nada que comprometa o filme. O que me incomodou mesmo foi que me lembro do primeiro filme apresentar melhor a dúvida de Quaid, se aquilo realmente estava acontecendo ou se ainda estava sentado na cadeira da Recall. E certos vacilos na ação que poderiam ser evitados, em especial na luta final contra Cohaagen (quando você assistir vai me entender).

Então você me pergunta “Afinal, vale o ingresso ou não?” Eu digo “Sim, vale, porque a história é muito maneira e tem uma excelente dose de ação”. “Mas é melhor que o original?” Aí eu vou responder que não, mas ele trabalha certos assuntos melhor do que o original. O  que você, que viu o primeiro filme, precisa é decidir se você vai dar uma chance a essa nova versão ou não vai querer estragar as boas lembranças que tem do original. Mas te garanto que você vai preferir guardar na memória Jessica Biel do que Rachel Ticotin.

 

Total Recall, EUA, 2012 – 121 min.

Elenco: Colin Farell, Kate Beckinsale, Jessica Biel, Bryan Cranston, Bill Nighy.

Direção: Len Wiseman.