Crítica: Os Miseráveis

Galera, este era um dos lançamentos de 2013 (que deveria ter chegado em 2012) que eu estava muito empolgado pra ver. Tá, eu não sou lá muito fã de musicais (Por que todo mundo começa a cantar e dançar do nada ?) mas queria dar uma atenção à esta nova versão da peça de Victor Hugo por alguns motivos e o principal deles atende pelo nome de Hugh Jackman. Pra quem não sabe, o cara veio dos palcos e teatros, musicais são a praia dele, e como já disse por aqui, curto muito os trabalhos do ator, principalmente os que não são ligados ao herói Wolverine. E pra minha alegria, Jackman faz um trabalho impecável em um excelente filme.

O filme mostra a saga de Jean Valjean (Jackman), que vai preso após roubar pão para alimentar a família. Após passar um tempo comendo o pão que o Diabo amassou (Há! essa foi boa…), ele é solto em liberdade condicional, mas acaba fugindo. E após ser salvo por um padre, ele decide se redimir de seus pecados e passa a judar as pessoas, mas sem saber que ainda continua sendo caçado pelo homem que lhe prendeu, o Inspetor Javert (Russel Crowe).

A primeira coisa que você tem que ter em mente quando for ver Os Miseráveis é de que este filme naõ é exatamente um filme, está mais para um dos famosos espetáculos teatrais da Broadway. O filme é todo cantado, totalmente diferente da última versão que foi levada ao cinema, em 1998 (que tinha Liam Neeson e Uma Thurman no elenco), deve ter no máximo umas 10 falas ao longo dos seus 158 minutos. Duas coisas que gostei muito da direção de Tom Hooper: colocar os atores pra cantar, pois deu uma autenticidade absurda a obra. Não seria a mesma coisa se, sei lá, eles fossem dublados (Deus me livre). Ver Jackman, Anne Hathaway e Crowe, além de todo o elenco, se esforçando ao máximo pra fazer um bom trabalho, vale muito. E a segunda coisa foi que Harper soube tirar proveito desse esmero dos atores e cada música que eles cantam parece que eles estão cantando para a platéia. A cena da redenção de Valjean, na igreja, parece mais uma confissão do personagem para o público, de um inspiradíssimo Jackman, que fez valer o Globo de Ouro de Melhor Ator e ganhou a minha torcida para o Oscar.

Mas naõ vamos esquecer dos outros atores, Anne Hathaway também justificou o seu Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e Russel Crowe e Amanda Seyfried mandaram bem pacas, mas Sacha Baron Cohen e Helena Bonhan Carter como o casal trambiqueiro Thenardier estão impagáveis, fazendo piadas até no meio de suas canções. E o filme tem uma grande carga emocional e dramática, mas sem ser apelativo ou forçado. Se vale o Ingresso? Eu diria que sim, se você estiver afim de algo diferente, pois Os Miseráveis não é um filme, é quase uma experiência teatral disfarçada de filme. Imagine-se vendo um daqueles espetáculos grandiosos e deixe-se levar pela história.

 

Lés Miserábles, EUA, 2012 – 158 min.

Elenco: Hugh Jackman, Anne Hathaway, Russel Crowe, Amanda Seyfreid, Sacha Baron Cohen, Helena Bonhan Carter.

Direção: Tom Hooper.