Crítica: Power Rangers

A primeira coisa que você tem que ter em mente: Power Rangers é muito mais do que um filme baseado na antiga série. Durante todo o tempo da produção, como disse o ranger preto Ludi Lin durante a CCXP, houve muito ceticismo e nariz torto de trazer cinco adolescentes de com uniformes coloridos e robôs gigantes, mesmo após as boas cenas apresentadas nos trailers. E assim chega um filme que, em vez de escolher a extravagância e algo mais espalhafatoso, opta pelo equilíbrio certo entre um drama adolescente e a ficção científica que o recente Quarteto Fantástico tentou ser e não conseguiu.

Cresci com a série infantil que mostrava cinco jovens que eram os maiores: os inteligentes, os populares, os exemplos de perfeição e que ainda por cima eram super-heróis. Agora os tempos são outros e os personagens do filme refletem o público adolescente que a nova franquia quer atingir: jovens inseguros, problemáticos, lutando para encontrar sua identidade e o seu lugar no mundo. E Power Rangers faz isso com bastante sensibilidade (e o faz sem pressa, mas ao mesmo tempo sem esquecer que é um filme de herói) e abordando temas atuais e importantes como a inclusão. A mensagem é clara: não importa se você é diferente, juntos somos mais fortes.

O filme toma a liberdade de mudar a mitologia da série pelo bem maior do desenvolvimento da trama, levando os Rangers lá para o nosso período jurássico (fato que justifica a forma dos Zords)  em uma emocionante cena das origens de Zordon (Bryan Cranston) e da vilã Rita (Elizabeth Banks, ótima). E não só o filme muda origens, mas também ousa com seus variados planos de câmera e closes nas reações dos personagens, prática muito usada pelo diretor Dean Israelite em seu filme anterior, Projeto Almanaque.

Quanto aos nossos cinco heróis, são retratados com bastante personalidade, cada um deles se destaca e tem o seu momento. Por uma conveniência da história e do roteiro, surge uma ligação natural entre Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott) e Billy (R.J. Cyler, de longe o melhor dos cinco e muito bem aproveitado tanto como alívio cômico, como sendo o responsável por um dos momentos mais tocantes do filme). Trini (Becky G) também tem bons momentos e Zack (Ludi Lin) é o menos desenvolvido, apenas o necessário para que conheçamos e nos importemos com seu drama. Aliás, todos eles, e da melhor forma, sem prejudicar o ritmo do filme. Ele até possui uma barriga no meio do segundo ato, mas facilmente esquecida quando começa o ato final.

Com direto à trilha sonora da série original, cenas que lembram “Clube dos Cinco”, “Meninas Malvadas”, a clássica música de “Conta Comigo” (a obra definitiva sobre a amizade e companheirismo) e até o momento “Círculo de Fogo”, Power Rangers chega como uma grata homenagem a inúmeros elementos que deram certo na cultura pop e os usa de forma eficiente e extremamente divertida (a piada com Transformers é excelente), mas sem esquecer das suas origens (e tem a promessa de mais por vir). A hora de morfar voltou com tudo!