Crítica: Prometheus

Aí galera, finalmente chegou a hora de ver o tão aguardado retorno de Ridley Scott ao “gênero que ele mesmo ajudou a definir”. Mas ao mesmo tempo em que ele foi aguardado, ele também foi confuso. Porque assim que o projeto foi anunciado, ele seria um prelúdio de seu primeiro suspense espacial, Alien – O Oitavo Passageiro. Depois o projeto ganhou nome, Prometheus, e foi dito que não mais se tratava de um prelúdio, mas sim de algo totalmente novo e original, mas tal informação era sempre questionada quando as fotos e materiais promocionais do filme ao mesmo tempo que não indicavam, sempre davam um ar de “preceder” Alien. Mas afinal, é ou não é um prelúdio?

A verdade é que a história dos cientistas que foram a um planeta desconhecido com esperança de encontrar respostas para as origens da raça humana se parece com Alien, a todo momento ecoa Alien, mas não é um prelúdio de Alien. Mas ao mesmo tempo é, ainda que indiretamente. O roteiro de Damon Lindelof deixa muitas brechas e não se preocupe, independente de você ter visto o primeiro Alien ou não, você não vai entender o filme como um todo. Tipo Lost, em que são apresentados inúmeros mistérios e nem todos são respondidos em seu final (não é a toa que Lindelof foi um dos co-criadores e produtor de Lost). Mas assim como a série, os mistérios servem pra deixar sua cuca bem “cafuza”, mas também te dão liberdade pra interpretar a coisa como você acha que ocorreu e o que são certas coisas, com as limitadas informações que são dadas durante o filme. Mas algo que não pode ser discutido é o tom de suspense e tensão que Scott imprime nas cenas (quando você vir a primeira morte e a cena do parto vai me entender) e isso, junto com a trilha sonora de Marc Streitenfeld, é o que mais me faz lembrar de Alien.

Bem, agora que não tem Ripley, a nova heroína é a doutora Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), que vira nosso ponto de referência no filme, pois parte dela e de seu marido, o Dr. Holloway (Logan Marshall-Green), o plano de ir ao tal planeta para encontrar aqueles que eles chamam de “Engenheiros”, enquanto o resto da equipe bancada pelas Indústrias Weyland, representada na viagem pela (gostosa) Meredith Vickers (Charlize Theron) parece estar bastante feliz apenas por receber o seu “rico dinheirinho” e não dão a mínima para os cientistas. Mas é David (Michael Fassbender) que tem os melhores diálogos do filme, e prestar a atenção em cada palavra dele é crucial, tudo o que ele fala tem “algo nas entrelinhas”, sempre sendo muito dúbio, mesmo sendo ele um robô. E é impressionante como ele sempre é cruelmente lembrado disso.

Com muita tensão e sendo visualmente muito bonito de ver (independente de ser 3D ou não), Prometheus abre um leque de possibilidades para uma nova saga espacial ao estilo de Alien, justamente pelo roteiro que dá essas brechas, vou até ver de novo pra tentar entender certas coisas que não entendi direito. Eu vi o filme dublado, e embora vocês possam chiar “nossa, filme dublado é uma droga” e coisas do tipo, a dublagem do filme é muito boa e não prejudica em nada a fita. Ridley Scott fez um excelente retorno ao terror espacial, e não se assuste com os 124 minutos de filme, você já vai ter muito com o que se assustar… e com o que pensar também.

 

Prometheus, EUA, 2012 – 124 min.

Elenco: Noomi Rapace, Charlize Theron, Michael Fassbender, Logan Marshall-Green, Idris Elba, Benedict Wong, Guy Pearce.

Direção: Ridley Scott.