Crítica: Sem Dor, Sem Ganho

Galera, quando vi o trailer de Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain), nova empreitada do diretor Michael “subitamente explode cenários” Bay, imaginava que seria qualquer coisa, mas não estava preparado para o que vi. Prestem atenção, pois ainda não disse que o filme é bom ou ruim, estou simplesmente dizendo que já que se tratava de um filmes de marombeiros com um diretor que resolve explodir seus cenários do nada, podia imaginar muitas coisas, mas não o que vi.

Pois bem, o que vi foi a história baseada em FATOS REAIS (guarde bem estas palavras) de Daniel Lugo (Mark Wahlberg), um professor de academia cujo corpo ele considerava um templo, vivia e se dedicava apenas para duas coisas: trabalhar os seus músculos e conseguir um lugar ao sol no tão desejado “sonho americano”. Mas ele não queria esperar, e nem trabalhar tanto para isso. Então, junto com dois amigos, Adrian Doorbal (Anthony Mackie) e Paul Doyle (Dwayne Johnson), ele prepara um sequestro contra um de seus clientes, Victor Kershaw (Tony Shalhoub) para tirar toda a grana do cara e poder ter o que sempre quis.

Tá, vendo assim, a história nem é tão absurda, mas quando vemos o desenrolar do filme, todo o pensamento e raciocínio de Lugo, fica difícil acreditar que existem pessoas que pensam da mesma forma que ele, e a certo ponto, depois de já ter passado tanto absurdo em tela, o diretor ainda vem dizer que “sim, ainda é uma história real”. Além disso, a interpretação de Wahlberg torna tudo mais surreal ainda, e sim, isso é um elogio. Não acho Wahlberg lá grandes coisas, mas ele faz o feijão com arroz, então já tá de bom tamanho. E Dwayne Johnson faz um personagem que é ao mesmo tempo engraçado e trágico, com todo o sofrimento de um homem que acabou de sair da prisão e tenta fazer a coisa certa. Lembram dele em Be Cool? Pois bem, é por aí. Mas o melhor entre todos foi realmente Tony Shalhoub – seu personagem é tão cretino que você não sabe se tem pena ou se torce pra ele se dar mal.

Eu realmente não sei o que deve ter atraído Michael Bay a contar essa história (ele deve ter visto a chance de colocar umas explosões quando possível) mas ele até que faz um trabalho bom, mesmo ainda se agarrando a certos “estilos” – tipo fazer a câmera girar para mostrar duas ações acontecendo num mesmo ambiente. Tá, em Bad Boys ficou muito legal, mas qual é o sentido de fazer isso aqui?

Então, se você tá afim de ver uma história que é no mínimo curiosa, pode conferir que Sem Dor, Sem Ganho vai te divertir. Mas se você procura uma história com conteúdo, bom, vai passar longe da sala com um filme do Michael Bay…

 

Pain & Gain, EUA, 2013 – 129 min.

Elenco: Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Tony Shalhoub, Anthony Mackie, Rebel Wilson, Ed Harris

Direção: Michael Bay