Crítica: TOC-Transtornada Obssessiva Compulsiva

A comédia brasileira tem momentos bastante constrangedores (pra dizer o mínimo), mas de tempos em tempos pinta algo que se destaca, tanto pela qualidade do material quanto pelo talento dos nossos atores. E TOC é um ótimo exemplo de que é preciso uma sintonia entre essas duas partes, pois tem um ótimo elenco e apresenta uma ótima idéia, mas falha na execução e se perde no meio do caminho.

Aqui vemos toda a confusão, prazeres e desprazeres da vida de artista através dos olhos de Kika K (Tatá Werneck) que, enquanto tenta desesperadamente conseguir o papel de protagonista que pode alavancar a sua carreira, começa a se questionar seu modo de vida e todo o processo necessário para se manter em evidência e na fama, desde namorar um ator do momento (Bruno Gagliasso) à todos os comerciais e trabalhos organizados pela sua empresária (Vera Holtz). No meio disso tudo, ela conhece Vladimir (Daniel Furlan), que começa a lhe mostrar um lado mais leve e divertido da vida.

O tema central do filme, desglamourizar a vida de artista, pode lembrar o recente Birdman (aliás o filme é recheado de referências à outros sucessos, a própria abertura do filme é claramente inspirada no último Mad Max), mas não o encare como uma cópia, nem de longe é esse o caso. Aqui temos uma declarada comédia, o intuito é divertir em cima desse excesso de fama, coisa que o longa faz muito bem, cortesia da ótima comediante que é a Tatá, com muito improvisos e diálogos nonsense, e se apoiando também nas ótimas cenas dela com a empresária vivida por Holtz. A linguagem de vídeoclipe no filme também ajuda a ilustrar a questão do TOC, mas o problema é que a certo ponto do filme ele dá uma descarrilhada, seu discurso fica confuso.

TOC diverte com seus diálogos e o improviso de Tatá, mas ainda está longe de ser a comédia que eu gostaria de ter visto, se tratando de comédia brasileira. Apesar dos ótimos pontos propostos, a busca pela felicidade, tem umas piadas meio exageradas, em especial as relacionadas à Gagliasso. É bom, mas fica aquela impressão de poder ser melhor.