Crítica: X-Men – Dias de um Futuro Esquecido

A franquia dos mutantes a cada filme estava cada vez mais perdida, feito cego em tiroteio. Eram sempre trailers que prometiam muito, mas no resultado final eram bem abaixo do prometido, principalmente depois de péssimas decisões tomadas ao longo do caminho (coff “X-Men 3” coff !), embora o Primeira Classe seja uma grata surpresa, trazendo um frescor novo para aqueles que praticamente foram os responsáveis pelo “boom” dos filmes de super-heróis. Eis que a Fox fez meu mundo feliz com dois anúncios: a adaptação de uma das mais clássicas histórias dos mutantes e o retorno de Bryan Singer à direção (Matthew Vaughn fez um excelente trabalho com o Primeira Classe, mas X1 e X2 do Singer são os mais clássicos dos heróis). E aí, após muita expectativa, como foi esse retorno?

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Vou me ater à história do filme, sem comparações aos quadrinhos (embora as mudanças sejam mínimas e apenas mercadológicas, afinal, ter Hugh Jackman à frente chama mais público do que a Kitty Pryde da Ellen Page). Nesse futuro apocalíptico (ou realidade alternativa, fica aí a discussão), humanos e mutantes foram exterminados e aos poucos sobreviventes o que resta é fugir dos implacáveis Sentinelas. Os poucos mutantes que restam, liderados pelo Prof. Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian Mckellen), preparam então um último e desesperado plano: lançar a consciência de Wolverine (Hugh Jackman) para o passado para, junto de suas versões mais jovens (James McAvoy e Michael Fassbender),  impedir a pessoa que seria responsável por aquele futuro: Mística (Jennifer Lawrence).

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Singer consegue conduzir a história perfeitamente, e com ambas as distinções. No primeiro momento, um futuro com os personagens que fomos apresentados lá no primeiro X-Men. É muito legal ter essa noção de unificação entre os filmes, é basicamente a “cartilha Marvel” em ação. Embora Singer tenha tomado certas liberdades em relação aos poderes mutantes (principalmente os da Kitty), você acaba entrando no clima por que é simplesmente empolgante vê-los todos em ação. Mas o filme não esquece do seu lado “mercado” e inclui novos personagens, mas não em detrimento do roteiro. Todos tem a sua utilidade e o seu mínimo espaço, em especial a Blink (Fan Bingbing) e Mercúrio (Evan Peters), no passado. As cenas de ambos os personagens são extremamente empolgantes, inclusive Singer repete o feito incrível da abertura de X2 (a invasão da Casa Branca pelo Noturno) com uma cena única só para o velocista mutante.

No passado, o show passa a ser de Hugh Jackman. Seu Wolverine passa a ser o elemento de ligação entre as duas eras e mais uma vez assume (como em todos os filmes) a responsabilidade, mas aqui por um motivo totalmente crível para o que o filme se propõe. Um Xavier desiludido, totalmente diferente do personagem que vimos no final do Primeira Classe, efeito dos 10 anos que se passaram entre os filmes, e um Magneto caminhando mais e mais para se tornar o personagem do primeiro X-Men. E Jennifer Lawrence também tem o seu destaque, assumindo posição central na trama e fechando o triângulo mal resolvido entre ela, Xavier e Magneto.

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Tecnicamente o filme é muito bom, com efeitos excelentes. O 3D fica a cargo do freguês, é bom, mas não necessário. E Singer cada vez mais abusa da criatividade para mostrar o uso das habilidades mutantes. O roteiro se permite fazer algo que foi excelente, ao brincar com a questão de viagens no tempo.

Singer nos trouxe de volta o prazer de ver um filme dos X-Men e fez mais do que isso: ao brincar com viagens no tempo, ele remenda a linha temporal no filme, deixa o que foi bom e joga fora tudo o que foi ruim, a cena final é um deleite com muitas surpresas para os fãs, e a cena pós-crédito, o indício do que está por vir. Além de dizer que vale muito o ingresso, quero também agradecer. Obrigado Bryan Singer. Posso jogar fora o meu DVD de X-Men 3 sem nenhuma pena.

 

X-Men – Days of Future Past, EUA, 2014 – 131 min.

Elenco: Hugh Jackman, James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Patrick Stewart, Ian Mckellen, Halle Berry, Shawn Ashmore, Ellen Page, Peter Dinklage.

Direção: Bryan Singer.