Resenha: Além da Escuridão – Star Trek

Antes das considerações, vale esclarecer que eu nunca fui fã de Star Trek, embora tenha sido criado para ser um. Meu pai me fazia assistir a todos os episódios da série clássica, mas nunca de fato gostei do que via. Talvez por já ser de uma geração em que o formato da série do anos 60 não me crescia os olhos, mas o fato é que nunca fui virei um Trekker, embora conhecesse as linhas gerais da história. Isso mudou em 2009, quando J.J. Abrams assumiu a franquia e virei fã, principalmente do formato que o diretor deu à série, e esperava ansiosamente pela segunda parte da história. E que bom que valeu esperar cada segundo.

Abrams, novamente na direção, segue o protocolo básico das sequências: aumentar a dose de tudo! Já que no primeiro filme os personagens principais – Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto) e a tripulação da Enterprise – já foram apresentados e suas relações estabelecidas, agora vemos como essas relações permanecem e os limites a que elas são levadas, principalmente quando surge uma ameaça à toda Frota Estelar na forma do terrorista John Harrison (Benedict Cumberbatch), que promete destruir a Federação e tudo o que ela representa.

Lembro que nos extras do primeiro filme, Abrams disse que “faltava um pouco de Star Wars em Star Trek, uma energia”. Talvez seja exatamente isso que eu nunca vi na série clássica, mas que Abrams marcou no primeiro filme, e que ele aumentou no segundo. As cenas de ação estão excelentes, e o melhor é que são todas coerentes com a história. Aliás, nada é gratuito, até o humor é bem dosado, encabeçado pelo sotaque escocês de Scotty (Simon Pegg) e pelo Dr. McCoy (Karl Urban), ambos ganhando muito mais tempo de tela do que no primeiro filme. O elenco todo está em sintonia total, em especial Pine e Quinto, já que tiveram sua amizade posta à prova. E além de Uhura (Zoe Saldana), o filme ainda ganha mais uma representante do sexo feminino: a Dra. Carol Marcus (Alice Eve).

Se no filme anterior tivemos um bom vilão, aqui temos um vilão excepcional. Cumberbatch mostra que veio para ser “O Melhor”, como o próprio sempre encheu a boca para se definir nos trailers. John Harrison faz tudo o que é preciso para alcançar os seus objetivos e não poupa ninguém. O forte sotaque britânico do ator só dá mais poder e ênfase a cada frase do personagem, tornando-o um vilão extremamente interessante. Agradeço muito por Benicio Del Toro ter desistido do papel, porque não sei se seria a mesma coisa.

A direção de J.J. Abrams mais uma vez não deixa a desejar. Ritmo perfeito, edição perfeita. Ele soube usar vários outros artifícios da série clássica e ainda assim manter a continuidade da sua realidade estabelecida e o cânone da original. O filme atrasou devido à conversão para 3D, que geralmente é para nos arrancar mais dinheiro, mas aqui está um absurdo de perfeita. E se puder, veja em IMAX, que capta toda a imensidão do espaço. É mais caro, eu sei, mais é totalmente válido!

E assim, Abrams nos entrega mais um excelente filme pipoca, extremamente divertido e com várias reviravoltas ao longo dos seus 132 min. Mal posso esperar pra ver o que ele fará na outra franquia concorrente que ele assumiu [Star Wars], mas também espero que ele volte para um terceiro filme. Para mais missões, indo audaciosamente…