Resenha: Bright

A nova empreitada em longa metragens da Netflix tem um cenário no mínimo curioso. David Ayer, que todos conhecemos da péssima experiência com Esquadrão Suicida, volta para o cenário em que ele se sente mais à vontade: o gueto, as ruas sujas e apresentar problemas do povo comum e da violência urbana, isso fica claro em sua filmografia como em, por exemplo, Marcados para Morrer e Sabotagem. Aliás, Bright tem muito à cara de Marcados para Morrer. Imagine uma soma desse com a ótima pegada social de Distrito 9 e pitadas de fantasia. É Bright.

Como eu disse acima, a ótima pegada social é o charme do filme, que se passa em um mundo onde criaturas místicas vivem lado a lado com humanos. Quer dizer, vivem, por que as camadas sociais são claramente definidas, em pichações nas ruas e nas organizações sociais. Nessa Los Angeles fantasiosa os Orcs são os porcos, os deixados de lado, substituindo os negros e latinos na segregação da classe dominante. Mesmo que ainda negros e latinos não passem a ser a classe dominante, esse lugar pertence aos Elfos, que vivem em uma Los Angeles limpa, linda, totalmente à parte. Nesse cenário que conhecemos o policial Ward (Will Smith) que, em uma ronda com seu parceiro, o policial Jakoby (Joel Edgerton), o primeiro Orc da policia de LA, atendem um chamado onde acabam encontrando uma arma de destruição em massa, que mexe com todo o submundo da cidade e todos estão preparados para matar para botar as mãos.

Há o claro clichê dos “policiais de etnia diferente que são obrigados a se dar bem para resolver o caso”, mas aqui é mostrado por um outro ângulo. Ward e Jakoby já são parceiros há um tempo, mas há uma desconfiança principalmente por um trauma onde Ward foi gravemente ferido. Jakoby sofre racismo por parte de toda a força policial e embora Ward o defenda, ele claramente não faz isso em defesa do parceiro. Ele está muito mais preocupado em manter-se abaixo do radar para não prejudicar seu futuro. Mas essa fricção logo some quando ambos se veêm perseguidos por todo o gueto de Los Angeles. Tudo isso, somado à ação do filme (muito empolgante) e a direção pé-no-chão e à vontade de Ayer fazem de Bright um filme interessante.

Eu acredito que não caberia mais ver a dupla Ward/Jakoby, mas o mundo de Bright, sua organização e infra estrutura social, abrem inúmeras possibilidades para mais histórias dentro daquele mundo com lendas, profecias mágicas e criaturas místicas que atraem muito mais do que a própria história em si. Quero ver muito mais desse mundo, com certeza.