Resenha: Godzilla

Sabe quando você sai do cinema, e passada aquelas duas horas depois do filme, você ainda não tem a exata certeza do que acabou de ver? É mais ou menos com esse sentimento que estou aqui digitando essa crítica. Godzilla volta aos cinemas após o fraco filme de 1998 dirigido por Roland Emmerich, e dessa vez com mais características do monstro japonês do original do que o lagarto da primeira versão americana. E se está mais parecido com a versão original, com certeza o resultado final deve ser no mínimo satisfatório, não é? Não é?

Godzilla ft 1

Pela ótica da família Brody, em especial do pai John (Bryan Cranston) e de seu filho Ford (Aaron Taylor-Johnson), vemos duas enormes criaturas despertando e destruindo tudo em seu caminho, ameaçando a nossa existência. Para detê-las, surge um monstro ainda maior e mais antigo, chamado Godzilla.

Antes de tudo, tenha em mente que isso não se  trata de um remake da versão do personagem de 98. Este aqui está muito mais próximo do original japonês. Aliás, a troca Japão-EUA aqui funciona mais do que simplesmente uma parceria comercial de produção, com a história se passando nos dois países e extremamente recheado pela cultura japonesa, a começar pela família americana que tem vida estabelecida no Japão. Acho que uma condição básica para que se aprecie o filme é que você goste ou já conheça o Godzilla original, que não tem similaridade nenhuma com a sua versão americana. O que nos foi mostrado em 98 como um lagarto gigante fruto da radiação química, aqui é um ser muito mais primitivo, e nas palavras da Dra. Graham (Sally Hawkins), um “Deus”.

Godzilla ft 2

O nível de destruição é enorme, e muito bem feito. O que me incomodou foi a condução da história. O diretor Garreth Edwards faz questão de mostrar o drama humano muito mais do que a ação. Mais do que isso, ele nos traz o clímax da ação, mas nos corta em favor do drama dos personagens, o que eu considero uma tremenda sacanagem. E o “herói” Ford (Aaron Taylor-Johnson) não nos passa empatia nenhuma, eu cheguei até a torcer mais pela esposa do cara, personagem vivida pela atriz Elizabeth Olsen. Ainda por cima, o 3D no filme é bastante desnecessário.

Sabem, fica difícil dar uma opinião formada sobre Godzilla. Eu com certeza fiquei bastante decepcionado, mas não tenho a ligação com a cultura japonesa (ou com os filmes originais do personagem) para curtir como alguém que tem. Então, deixo para você a decisão final.