Resenha: Jogos Vorazes – Em Chamas

Tenho que admitir que subestimei o primeiro ao achar que serie um genérico de Crepúsculo, com mais uma garota sendo disputada por dois caras. Mas o filme era muito mais do que a disputa pela garota. Havia toda uma crítica social por trás dos Jogos, e sua sequência, Jogos Vorazes – Em Chamas, chega para mostrar o quão claro é essa crítica.

No filme não diz (ou eu não vi) quanto tempo se passou após o fim do 74º Jogos Vorazes, e a primeira metade mostra as consequências da vitória de Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson), com a dupla viajando pelos distritos espalhando a mentira que são os Jogos, fazendo a roda do sistema girar. Mas Katniss é alertada, e a própria vê enquanto viaja, que cada vez mais revoltas acontecem, e involuntariamente se tornando um farol de esperança para os revoltosos. Para minar essa esperança, o Presidente Snow (Donald Sutherland) decide realizar uma edição especial dos Jogos e declara que os tributos serão os vencedores das edições anteriores.

Quando rolou a mudança na direção, saindo Gary Ross e entrando Francis Lawrence, fiquei meio preocupado, mas o novo diretor consegue até melhorar o que Ross começou. Neste segundo filme tudo é maior, e como no primeiro já sabemos basicamente do que se tratam os Jogos, não se perde tempo explicando esses detalhes, apenas acrescenta-se as novas informações para que saibamos onde os protagonistas vão se enfiar dessa vez. O que é ótimo, pois o filme pode dar mais atenção ao que realmente importa: toda a trama das revoltas e o sofrimento de Katniss por ter que se dividir entre salvar aqueles que ama e a relutância em aceitar o papel que lhe cabe. Lawrence se permite brincar mais com o escopo do filme, tornando-o mais grandioso.

Os personagens são melhor trabalhados, em especial o Presidente Snow, cujas as suas falas parecem ter sempre uma intenção escondida, ou até muito clara quando ele quer. Das novidades, vale o destaque para a personagem Johanna (Jena Malone), que assim como os demais são boas adições à trama.

No fim, Jogos Vorazes – Em Chamas deixa claro que a franquia é muito mais do que um romance adolescente. Ela tem conteúdo. Agora é esperar pela adaptação do último livro que, infelizmente, foi dividida em duas partes (síndrome de Harry Potter) mas, assim como valeu ter esperado por esse, ‘A Esperança’ tem tudo para deixar Jogos Vorazes no grupo de excelentes adaptações literárias por um bom tempo.