Resenha: John Carter – Entre Dois Mundos

Este é um filme no mínimo complicado de ser definido, e rodeado de expectativas. Primeiro, porque as aventuras de John Carter vem tentando ganhar as telas há bastante tempo. Segundo, porque se trata do primeiro filme da Disney/ Pixar feito totalmente em live-action. E só por se tratar da Disney a gente já espera um nível de qualidade tanto no visual quanto na história. Infelizmente, já vou dizendo que aqui a coisa não é bem assim.

Começamos a história começa com o jovem Edgar Burroughs (o escritor de Tarzan e do próprio livro que deriva este filme, A Princesa de Marte) chegando na Nova York de 1881 para acompanhar a leitura do testamento de seu tio, o homem que dá nome ao filme. Entre os pertences do falecido está o seu diário, que conta como o então Capitão da cavalaria John Carter (Taylor Kitsch) por acidente chegou ao planeta vermelho no meio de uma guerra entre duas nações e se apaixonou pela Princesa Dejah Thoris (Lynn Collins).

No seu primeiro longa em live-action, Andrew Stanton, diretor de Wall-E e Procurando Nemo, foi corajoso ao tentar levar o filme pelo caminho do drama e não do óbvio filme-pipoca que foi Príncipe da Pérsia. Mas o problema é que a porção dramática em John Carter foi um tanto exagerada, deixando-o por várias vezes arrastado. Stanton vai contando aos poucos os traumas do personagem, mas as cenas de flashback são inseridas pra tornar a ação mais dramática. Exemplo disso é a cena em que ele enfrenta um batalhão de marcianos e ao mesmo tempo mostra o que houve com sua familia.

O elenco é bom, mas tem umas interpretações meio abaixo dá média, como um Dominic West fazendo um vilão clichê e James Purefoy mais fanfarrão impossível como o general Kantos Khan. Só gostei mesmo foi de Mark Strong como o vilão Thern, sempre roubando as cenas em que aparece, e do cachorro marciano Woola com sua supervelocidade. Taylor Kitsch manda bem nos dramas do John Carter, pra dizer que é mais do que um rostinho bonito sem camisa e com cabelos ao vento, enquanto Lynn Collins fica linda com aquela bilha azul que ela tem no lugar dos olhos, mas com uma atuação bem comum.

Apesar de por vezes parecer arrastado, John Carter – Entre Dois Mundos não deixa de ser interessante, principalmente pelo seu final. Como a Disney já anunciou que vai tentar levar todos os 11 livros da Princesa de Marte para as telonas, pode ser que este tenha sido apenas o ensaio para que no próximo venha algo bem maior e mais poderoso. Mas cá entre nós, pra um primeiro ensaio, ensaiaram até demais.

Ah, o 3D funciona bem aqui, ele aumenta os horizontes daquelas vastas terras marcianas, fica algo realmente bonito de se ver. E deve valer mais a pena ver em IMAX.