Resenha: Lanterna Verde

Por não conhecer muito do personagem nas histórias em quadrinhos, fui ver Lanterna Verde apenas com olhos de alguém que espera um bom filme baseado pelo que viu nos trailers, e posso dizer que fiquei um tanto decepcionado. Imagine se eu fosse fã como alguns amigos meus.

Como eu imaginava, é um filme visualmente bonito, mas sem conteúdo, ou melhor, com um conteúdo muito ralo. Começa mostrando o guerreiro mais pica das galáxias (literalmente) dos Lanternas, Abin Sur, sendo atacado pela sinistra entidade Parallax. Gravemente ferido, este começa um processo de seleção no planeta mais próximo e chega ao nosso planetinha azul. Aqui conhecemos Hal Jordan (Ryan Reynolds), o piloto mais brabo da Ferris Aeronáutica, que apesar de todo o seu potencial, ainda lida com o trauma da morte do pai. E daí o filme se desenrola, ou não se desenrola como deveria. Depois que Hal é selecionado pelo anel, somos apresentados ao vilão Hector Hammond (Peter Sarsgaard) que, embora não seja vazio, suas motivações são as mesmas já usadas por outros vilões.

Reynolds não convence em momento algum como Hal Jordan. Volto a falar, não conheço muito do personagem, mas acho que o pouco que conheço me permite dizer isso. Embora ele vista muito bem a camisa do “lado arrogante” de Jordan, tentaram transformá-lo no palhacinho da turma, sempre com uma piada na ponta da língua, mas na hora do “vamo ver” ele arrega e Reynolds não passa a seriedade do personagem quando o filme pede.

Entre os outros do elenco, Blake Lively está ali simplesmente como vitrine, e funciona muito bem nessa parte. Mas o melhor do filme com certeza é Peter Sarsgaard, que apesar do que eu disse acima, quando vira um vilão bêbado pelo poder que agora possui, apresenta um vilão até muito convincente (não pelas motivações, mas pela atuação).

No lado da direção, nunca me decepcionei tanto com Martin Campbell, que depois de dois excelentes reboots no 007 (Goldeneye e Cassino Royale) e A Máscara do Zorro, aqui trabalha no automático e simplesmente se importou se o cheque do seu cachê ia bater na sua conta. A Warner/DC já devia ter aprendido que colocar pessoas que não conhecem o personagem pra dirigir uma adaptação dele só podia trazer problema. Não precisa ser fã de carteirinha do Lanterna, mas conhecer o mínimo pra ter respeito. Afinal, nem todos são um Nolan.

Bem, depois de dois parágrafo pichando o filme (tive meus motivos), agora vou falar do que me agradou: A Tropa dos Lanternas Verdes. Achei que o poder do Anel ficaria mal retratado nas telas, mas é até bonito, e quando os Lanternas dão formas ao seu pensamento é bastante divertido. Hal Jordan até exagera em tanta criatividade. Oa, o lar da Tropa, tem um visual bem legal, assim como seus criadores, os Guardiões. A tropa só abusa um pouco da diversidade nas suas fileiras, lembro de muita tosqueira no desenho da Liga da Justiça, mas nunca vi um “Mosquito Verde”. Dentre os mais destacados da tropa, Tomar-Re (dublado por Geoffrey Rush) está muito maneiro e não tem como não se divertir com Kilowog (dublado por Michael Clark Duncan). Mas como era de se esperar, quem rouba a cena é Sinestro (Mark Strong), com toda a sua honra de guerreiro e uma dualidade de caráter perfeitamente dosada.

Embora a cena do final (uma das poucas boas cenas do filme todo) deixe o gancho para a sequência, não sei se gostaria de ver isso ganhar a luz do dia. E se a Warner ainda pretende levar seus heróis unidos na Liga da Justiça pras telonas, devia aprender um pouco com a concorrência a fazer filmes mais atrativos e menos superficiais. Ela pode até adquirir uma boa bilheteria com seus filmes “mais ou menos”, mas gastar mais heróis como o Flash e a Mulher-Maravilha só para fazer mais dinheiro não é fazer filmes, é mercado caça-níquel. Se vão comer meu dinheiro, pelo menos me tragam algo que me deixe satisfeito ao final da sessão, e não esse gosto insosso com o qual escrevo este texto.