Resenha: O Rei do Show

É muito difícil você falar do que te agradou em um filme. E uma tarefa bastante subjetiva, pois algumas pessoas podem ser mais abertas à ver coisas explodindo em filmes de ação do que sofrer com os sustos de um filme de terror. Preferem romantizar um drama do que uma comédia desgarrada. E musicais…como encaixar musicais nesse meio? Eu particularmente fico numa área muito cinza nessa categoria. Eu posso dizer que não curto, o que não seria inteiramente mentira, mas não estaria sendo justo com filmes como Across The Universe e os recentes La La Land e A Bela e a Fera (que eu amo). E engraçado ter citado esse último, pois a Fox foi bastante visionária realizando um filme no perfil Disney antes mesmo da sua venda ter sido anunciada. Só que sem o charme da casa do camundongo.

A história de P.T. Barnum (Hugh Jackman) espelha de fato o sonho americano. O rapaz humilde que, se apaixonou pela moça de uma classe social inatingível (Michelle Williams). Mesmo em um trabalho humilde, ele sempre se mostrou inventivo e com uma mente além de seu tempo, sempre inventivo e criativo. E tal criatividade, com a sua demissão, o leva a arriscar tudo em uma empreitada: montar um espetáculo que mostra o inacreditável e o bizarro que, aos poucos, vai se tornando a sensação da época e ao mesmo tempo que Barnum conquista mais e mais, cria o sentimento de família naqueles que eram considerados párias da sociedade.

O filme possui uma mensagem muito poderosa, típica de filmes que são lançadas nesse período. Assim como Barnum, temos tudo que queremos, basta termos a coragem para correr atrás dos objetivos. Mesmo quando Barnum é dragado pelo próprio monstro que criou. E Jackman encarna o magnetismo natural que Barnum tinha. Você acredita em cada momento da jornada e torce por ele, à cada instante em que ele tenta vender a sua idéia.

Mas um aspecto do filme que me tirou bastante dele foi o seu aspecto pop em demasia, desde a sua abertura. Musicas em excesso que, apesar de serem muito bem coreografadas, na maior parte do tempo que não funcionam (nem mesmo a tão alardeada “This is me” que apresenta muito bem o filme no trailer não me pegou em seu grande momento no filme). O CGI é outro problema, eu entendo que trabalhar com animais e lidar com toda a coreografia seria impossível mas alguns estavam bem fracos (e afinal, o anão era anão mesmo ou era efeito?) e arcos que também nem acrescentam tanto ao filme (como o romance de Zac Efron e Zendaya, ambos muito bem, mas reduzidos ao clichê do conflito de classes sociais), tornando-o cansativo em boa parte.

Eu queria muito ter gostado de O Rei do Show. Queria mesmo, ansiava pelo seu lançamento. Mas eu término da sua sessão, não me senti arrebatado pelo seu espetáculo, mesmo com sua linda paleta de cores. Não tive vontade de sair correndo e cantando como nos filmes que citei no início deste texto, simplesmente se tornou mais um. Uma pena, pois adoro todo o trabalho do Jackman.