Resenha: Planeta dos Macacos – A Origem

Taí uma franquia que sempre fez um enorme sucesso (antigamente), mas que nunca entendi muito bem. Embora eu conheça as linhas gerais da história original, me perguntava como tudo havia começado. E depois de ver Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of The Planet of the Apes), acho que preferia ter ficado com o charme do mistério.

O filme toca em questões muito atuais como os maus-tratos a animais e seu uso como cobaias biológicas, e é assim que somos apresentados a Will (James Franco), um cientista querendo encontrar uma possível cura para o mal de Alzheimer para seu pai (John Lithgow), mas que acaba encontrando algo muito maior. Devido a um acidente no seu laboratório, ele acaba com um macaquinho em sua casa, César. Conforme o tempo vai passando, Will vê a as habilidades e, principalmente a inteligência de César, crescerem exponencialmente. Mas aí começam as complicações e é interessante ver César evoluindo e começando a ver as coisas por um outro prisma.

Os principais astros do filme são os macacos, num trabalho excepcional da Weta Digital (empresa que Peter Jackson criou para animar suas criaturas em O Senhor dos Anéis). Ao invés de usar animais de verdade, a Weta criou digitalmente todos os chimpanzés, gorilas e orangotangos do filme, com captura de movimentos da companhia Cirque de Soleil e com o especialista em atuações com captura em CGI Andy Serkis no papel de César. E é a Serkis que devemos creditar todas as sutilezas de César e como o personagem, através de seus movimentos e principalmente do seu olhar, é capaz de dizer muito sem nem ao menos falar. Serkis já devia há muito ter ganhado um Oscar pelo seu Sméagol/Gollum na trilogia de Peter Jackson, mas se ele não se supera aqui, ao menos ele nos traz um trabalho tão incrível quanto.

Embora o diretor Rupert Waytt tenha conduzido muito bem o filme (a cena dos macacos no abrigo é demais) e eu tenha gostado, ele não me levou muito a crer que foi a partir daqui que chegamos àquela tenebrosa praia onde vemos um Charlton Heston desolado perante a Estátua da Liberdade. Prefiro ver Planeta dos Macacos: A Origem como uma obra isolada e vendo assim, pra mim é um filme muito legal. Talvez vocês possam ver mais pequenos indícios que mostrem o contrário, mas como disse no começo do texto, acho que vou preferir continuar com o charme do mistério.