Resenha: X-Men – Apocalipse

Entre muito altos e baixos, filmes bons, ótimos e pavorosos, não se pode negar que a franquia dos X-Men é a mais sólida dos cinemas atualmente. Os mutantes estão nas telonas há mais de quinze anos e agora, graças ao bom estilo imposto pela Marvel e seus filmes, os mutantes saem da área mais ficção científica que tínhamos nos primeiros filmes para assumirem de vez um lado mais heróico, que sempre esteve presente embora um tanto comedido. E desde o filme anterior, o que temos é a franquia dando aos seus filmes uma cara de longos episódios, talvez mais uma influência da Marvel.

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Nestes 10 anos que não vimos os personagens, apesar de não haverem ameaças declaradas, o mundo ainda não aceita os mutantes como parte da população. Eles ainda seguem como párias, se escondendo e evitando usar seus poderes para não serem descobertos; Mas a Escola Xavier, onde o Professor Xavier (James McAvoy) e Hank McCoy (Nicholas Hoult) ensinam os jovens a controlar os seus poderes, segue de vento em popa. Mas acidentalmente Apocalipse (Oscar Isaacs) uma criatura milenar é despertada de seu sono profundo, e ameaça trazer o caos e a destruição da toda a raça humana e mutante, para criar um mundo onde apenas os mais fortes sobreviverão.

O filme apresenta um bom ritmo e está longe de ser ruim, mas ele apresenta defeitos que são no mínimo incômodos, o mau uso dos personagens principalmente, em especial dos Quatro Cavaleiros, os seguidores do Apocalipse. Com exceção de Magneto (Michael Fassbender), que passa por uma tragédia, nenhum deles tem uma motivação clara para aderirem à causa do vilão, nem pode se dar a desculpa de serem controlados, eles estavam lá por que queriam estar. Mas com que fim ? Ver o mundo pegar fogo ? Vingança ? Isso não fica claro no filme. E no sentido dessa ser um filme com mais cara de quadrinho, o próprio Apocalipse é um vilão básico de quadrinhos, com objetivos claros: destruir e dominar.

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Mas isso também não difere no lado dos heróis. É muito legal ver as relações entre os personagens se estabelecerem, especialmente entre Scott (Tye Sheridan) e Jean Grey (Sophie Turner), mas várias participações legais são jogadas pra escanteio, como Jubileu (Lana Condor). E Bryan Singer continua com sua mania de esconder essas pequenas falhas do filmes com cenas extravagantes, então mais uma vez vemos um super resgate do Mercúrio (Evan Peters), que aliás é muito bem usado como o alívio cômico do filme. Jennifer Lawrence segue com o bom trabalho costumeiro da franquia.

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O filme tem ótimas cenas de ação, bons momentos cômicos mas não exagerados, se permitindo até brincar com a própria inconstância da franquia, que brincou com viagens no tempo, e com a primeira trilogia, admitindo que seu terceiro filme é o mais fraco de todos. E recheado de referências à momentos clássicos dos quadrinhos, inclusive com uma participação de Hugh Jackman encenando uma dessas referências claras. O que mais gostei desse filme é a possibilidade de em um próximo vermos de fato os X-Men como equipe, com uma aventura que envolva mais os personagens clássicos e que saia um pouco desse triângulo Xavier-Mística-Magneto. E se tudo correr bem conforme as pequenas sementes plantadas neste filme, Singer pode refazer o plano que ele tinha para a trilogia que ele mesmo começou, tirando a impressão ruim deixada pelo terceiro filme. X-Men – Apocalipse é um bom filme, mas seu triunfo são as promessas deixadas para os próximos.