Primeiras Impressões: Arrow

Desde que Smallville acabou em 2011, os fãs de séries de super-heróis ficaram meio órfãos. Novas tentativas para o gênero foram realizadas e fracassaram, como a série da Mulher-Maravilha. Com este recente fracasso e como a Warner/DC Comics se recusa a usar o personagem peso-pesado da editora, o Batman, a solução seria buscar um personagem que fosse “parecido” com ele, mas que tivesse características próprias para crescer sozinho. A solução encontrada foi o Arqueiro Verde, que após ter a ideia de um filme próprio esquecida (SuperMax, roteiro de um filme que colocava o Arqueiro numa prisão de segurança máxima lotada de vilões que ele colocou lá), ganhou uma chance aparecendo como coadjuvante na série do jovem Clark Kent, mas logo foi ganhando espaço entre os principais (até porque ele foi um dos responsáveis por injetar novo gás na série, que caía pelas tabelas na sua sexta temporada).

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Pra começar, esqueça todo o conceito do personagem que você viu em Smallville. Pra deixar claro de que não se tratava do mesmo personagem, mudaram o ator. Sai Justin Hartley, o Arqueiro de Smallville, que tinha uma cara mais de adolescente, e entra um ator mais “maduro”, Stephen Amell. A origem do personagem foi readaptada para a série, ficando mais parecida com a dos quadrinhos. Após sofrer um acidente de iate com o pai e a namorada, Oliver Queen ficou cinco anos preso numa ilha onde o seu único pensamento era sobreviver. Mas o Oliver playboy e irresponsável que naufragou não foi o mesmo que foi encontrado. Ele voltou mais sinistro, taciturno, claramente marcado pelos anos sofridos na ilha. E com um objetivo: de alguma forma agir contra os mafiosos e criminosos que dominam Starling City, sua cidade, assim como seu pai lhe pediu antes de morrer.

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Claramente (e assumidamente) inspirado na abordagem que Christopher Nolan deu a Batman, Arrow também faz questão de colocar o personagem em um mundo mais verdadeiro, e cena dele montando o seu QG de operações já mostra isso. Duvido muito que ao longo da série apareçam as famosas “flechas com ponta de luva de boxe” e outras mais cretinas vistas nos quadrinhos, mas nesse piloto já vimos “flechas pendrive” e “flechas com cordas”. Outra coisa: nenhum personagem terá poderes, então acho muito difícil a possibilidade de Laurel Lance, aqui uma advogada e ex-namorada de Oliver, virar a personagem Canário Negro. Amell manda muito bem nas cenas de ação, mas ainda precisa trabalhar melhor o seu Oliver Queen, o cara parece uma estátua de cera (Hartley em Smallville era bem mais carismático). Aliás, o único personagem que chama a atenção pelo carisma é Tommy Merlin, melhor amigo de Oliver que também aparenta ter os seus próprios segredos.

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Embora esse primeiro episódio tenha sido no mínimo interessante, ele tem bastantes problemas por passar muito rápido. Tá, é lógico que eles queriam mostrar Queen se preparando e partindo pra ação logo, mas eles fazem com que isso aconteça muito rápido, diferente do cuidado que é dado ao treinamento e às cenas de Bruce Wayne antes dele se tornar o Batman em Begins. Outra coisa é a quantidade de vilões com que a série se comprometeu a mostrar nessa primeira temporada. Além de toda a corja que aparece no caderno de Oliver, a série ainda promete personagens das HQ’s como o Pistoleiro e o Exterminador, isso sem contar no próprio mistério que nos é apresentado no final desse primeiro episódio. Acho que é coisa demais pra aparecer em 22 episódios, e a série vai ter que rebolar pra fazer isso dar certo.

Apesar de tudo, é um bom episódio piloto e espero que, com a temporada avançando, a história vá se firmando e Arrow veja a luz da segunda temporada. O Arqueiro é um personagem muito maneiro e vale a pena investir nele, torço muito pra que a série vingue.