Primeiras Impressões: Flash e Constantine

Como a gente tá cheio de amizades nos canais americanos, conferimos os episódios de duas das séries mais esperadas da próxima temporada: Constantine e a nova versão do Flash (derivada do sucesso Arrow), ambas vindas das páginas dos quadrinhos da DC Comics. Tá LIVRE DE SPOILERS.

Mais rápido que uma bala

O episódio que reintroduz o corredor escarlate à televisão (quase 25 anos desde a antiga série) é no mínimo legal. Toda a estrutura do episódio é pensada e mostrada como um mini filme, e logo de cara ele te fala que você está no mesmo mundo de Arrow, mas que aqui você precisa “acreditar no impossível”.

Falando na “série-mãe”, não é necessário, mas é bom que você veja o episódio duplo que introduz Barry Allen (Grant Gustin) porque o piloto de Flash tem uma ligação com o final de sua participação em Arrow, já que a primeira vez em que o vemos ele está retornando de sua aventura por Starling City. Isso dá a sensação da criação de um universo, onde ambas as séries se passam no mesmo lugar e podem conversar entre si. E pra completar essa sensação, temos a participação especial do próprio Arqueiro (Stephen Amell) para aconselhar o futuro herói. A cena é muito boa, eu só não entendi como o Oliver foi extremamente babaca com o Barry na sua série e dias depois já era o BFF (best friend forever – “Melhores amigos pra sempre”) do cara.

The Flash piloto

Outra coisa muito legal do episódio é que tá recheada de referências aos quadrinhos, como vilões e (possíveis) eventos. A atuação de Grant Gustin tá muito legal também, embora inicialmente o tenha achado novo demais para ser o Flash.

No entanto, o episódio tem (e promete) umas obviedades que, ao longo do caminho, podem atrapalhar muito o seu desenvolvimento, como o surgimento dos poderes, tanto do herói quanto dos vilões. Rolou uma sensação de “Smallville tudo de novo” que não foi nada legal. E quanto aos poderes de Barry, nesse primeiro episódio só vemos que ele corre muito rápido e tem uma capacidade de regeneração igualmente acelerada, apesar dos autores não deixarem de lado o “fundo de realismo do Nolanverso” e mostrarem o efeito da fricção nas suas roupas (não lembro se a série antiga mostrava isso). Mas espero que a Força da Aceleração venha a ser amplamente usada em episódios futuros, e pela cena final, tudo nos leva a crer que iremos ouvir muito dela. Típicos romances manjados também incomodam, mas passam batido.

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No geral, é um bom episódio. A roupa funciona melhor com efeitos especiais do que quando parada, e fica muito bonita no efeito. Tudo leva a crer que pode ter um bom resultado na TV.

 

Vá de retro, Satanás

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Desde o anúncio da série, os fãs de Constantine se perguntam se o que veremos será:

a) Uma reprise da bobeira estrelada por Keanu Reeves em 2005;

b) Uma nova bobeira, mas com um personagem mais próximo dos novos quadrinhos da DC;

c) Uma fiel adaptação do personagem, da época de Hellblazer;

Só pra explicar uma coisa pra vocês: na época de Hellblazer, o que víamos era um personagem mais taciturno e politicamente incorreto, enquanto sua nova versão nos quadrinhos “Novos 52″ é mais integrada ao “lado mágico da DC Comics”, interagindo com personagens como a Zatanna por exemplo. E é justamente esse último que vocês verão na série.

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Uma coisa que me incomodou é que, embora ele seja indiscutivelmente melhor adaptado do que o filme de Francis Lawrence, ele dá a impressão de ser “arrumadamente desarrumado”. Ele tem esse jeito desleixado de propósito, não pelo seus anos agindo como “mestre das artes das trevas”. Mas já vale o fato dele ser loiro e britânico (embora seu sotaque britânico tenha soado forçado demais pra mim).

O piloto mostra Constantine (Matt Ryan) indo proteger Liv (Lucy Griffiths), filha de um antigo amigo, como uma promessa que ele o fez antes de morrer. O episódio todo flui como um “Supernatural”, o que não chega a ser ruim, mas definitivamente não vai inspirar aqueles que esperavam um personagem mais pesado (os autores já falaram que o personagem não irá aparecer fumando, proibição do canal).

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Parece tudo muito artificial, até mesmo o sofrimento do personagem. Além disso, o episódio o mostra mais “mágico”, com chamas na mão e tudo. Até o universo DC não é esquecido e uma singela referência aparece. Constantine será uma série que vai depender muito dos seus episódios futuros, mas por este primeiro, ela se mostra regular.