Primeiras Impressões: O Brado Retumbante

Quando eu vi na TV (é, de vez em quando eu tenho esses lapsos) o comercial de O Brado Retumbante, nova microssérie da Rede Globo, meu primeiro pensamento foi “cara, fizeram um The West Wing brasileiro”. Mas aí lembrei também que o único motivo pelo qual eu nunca ter visto a série americana era justamente o que a premissa da sua versão brasileira está apresentando: Como será o dia a dia e as intrigas políticas que rodeiam o presidente do nosso país?

Bem, logo de cara vemos um deputado fazendo uso de nepotismo, tentando encaixar um parente seu em algum cargo no governo. E durante uma reunião é escolhido o novo Presidente da Câmara dos Deputados, o Deputado (e fio condutor da história) Paulo Ventura (Domingos Montagner). Ventura, apesar de ferrenho lutador das injustiças e perseguidor dos ladrões de verbas do governo, não é levado a sério pelos outros deputados e senadores e foi escolhido por acharem que seria “inofensivo”. Mas o tiro saiu pela culatra quando numa noite tempestuosa o Presidente e seu Vice morrem em um acidente de helicóptero e a trágica ironia, pois a cadeia de sucessão nesse caso leva o presidente da Câmara dos Deputados à Presidência da República. Agora Ventura tem a real chance de fazer valer o seu senso de ética e justiça, e caçar os que ele chama de “verdadeiros criminosos desse país”. Mas Paulo também não é esse poço de virtudes, tendo que lidar com seus vícios, em especial casos com mulheres casadas e o álcool, além de um casamento destruído com Antônia (Maria Fernanda Cândido).

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Apesar de fictícia (será?), a microssérie, que terá 8 episódios, mostra um retrato fácil de identificar com várias reportagens que vemos recheando nossos jornais sobre os escândalos em Brasília, e tem um ritmo legal, com imagens bastante bonitas. Achei no mínimo curioso o fato da série mostrar o lugar onde se passa certa cena com um letras garrafais inseridas no cenário, bem no estilo de Fringe (alguém deve ser fã da série). Domingos Montagner, que fez sucesso com aparições na série Divã e na novela Cordel Encantado, tem agora a chance de mostrar que é o cara e manda muito bem neste primeiro episódio, mostrando as nuances das virtudes e dos vacilos de Paulo. Destaque pra cena final do episódio, dele tocando Aquarela do Brasil no clarinete, mostrando sua fé no país, apesar de tudo (ou eu só viajei muito, mas foi o que eu achei). E Montagner está cercado por um excelente elenco, em especial José Wilker como o principal adversário político de Ventura. A cena da conversa dos dois no banheiro mostra bem o clima que vai ditar a microssérie, e vale o episódio.

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O Brado Retumbante tá vindo como uma crítica à política do país, e Ventura promete lutar para acabar com toda a corja de bandidos que permeiam o nosso governo. O tipo de série que deveria ser mais encorajada e estimulada pelas nossas emissoras, pois temos tanto nível e qualidade quanto as séries americanas, só nos falta iniciativa de tornar séries desse calibre mais corriqueiras em nossa programação, e não apenas como “tapa buracos” nas férias.