Resenha: Agents of SHIELD

Quando a Marvel trouxe a sua ideia de universo unificado para os cinemas, isso meio que pirou a cabeça de muita gente. Todos ficavam hiper empolgados quando, ao terminar o filme do Hulk, viam o Tony Stark do Robert Downey Jr. aparecendo, mesmo que pra uma cena rápida. E toda essa construção nos rendeu Os Vingadores, o ápice dos planos da Marvel. Mas o estúdio resolveu não parar por aí e investiu em um novo projeto ainda mais ousado: romper as barreiras do cinema e levar para a televisão um pedaço desse universo para criar algo ainda maior. Assim surgiu Agents of S.H.I.E.L.D., a primeira série do universo Marvel.

A série começa dias após a “Batalha de Nova York”, como ficou conhecida a invasão alienígena mostrada em Os Vingadores. A S.H.I.E.L.D. resolve montar uma equipe para coletar e investigar eventos ligados ao estranho e desconhecido. Liderada pelo agente Phil Coulson (Clark Gregg), a equipe é formada por Grant Ward (Brett Dalton), um perito em combate e espionagem, pela piloto e especialista em artes marciais Melinda May (Ming-Na Wen) e pelos cientistas brilhantes e introvertidos Leo Fitz (Iain De Caestecker) e Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge). A eles se junta uma recruta civil, a hacker Skye (Chloe Bennet). Ao longo da temporada muitos mistérios vão se formando, enquanto os laços entre a equipe se fortalece.

Engraçado que, na época do lançamento da série, quando se falava em “trazer o universo dos filmes pra TV”, garanto que você logo pensou “cara, vai aparece o Thor e Tony Stark na série, junto com eles, que maneiro!”. Mas isso ficou só na teoria, porque essa “expansão de universo” ficou apenas como pontas especiais, citações aos filmes (como o Extremis do Homem de Ferro 3) e uso de pequenos vilões do universo Marvel, como o Deathlok. Tá, é meio sem graça, mas a série precisa criar a sua própria identidade e aí mora outro problema. Ela tenta criar uma identidade em cima de algo que já existe e é muito legal, funcionou nos cinemas, mas na TV não foi tão cativante. Os primeiros episódios chegam até a ser meio constrangedores, e o mistério envolvendo a morte do Agente Coulson ficou super esquisito e mal explicado.

Aliás, trazer o Coulson de volta como o elemento de ligação cinema/TV foi a melhor ideia que a Marvel teve, e o que salvou a série de ser um completo fiasco. A equipe até que é legal, Joss Whedon sabe formar grupos em série (Buffy? Angel?), mas os mesmos estereótipos se apresentam, principalmente no Agente Ward, o cara durão de bom coração. Além de Coulson, a série também deve muito ao segundo filme do Capitão América, pois aí sim temos uma completa guinada na série causada pelos eventos do filme. E acho que foi por conta dessa guinada tardia que a série conseguiu a sua segunda temporada, mas aos 45 minutos do segundo tempo.

Enfim, Agents of S.H.I.E.L.D. pode ter sido uma excelente ideia, mas a prática deixou muito a desejar. Como a Marvel está apenas engatinhando nesse formato de séries, vou esperar para que o estúdio amadureça e que as séries dos personagens no Netflix sejam mais maduras e com mais conteúdo.