Resenha: Demolidor

Depois de aguardar ansiosamente pela estreia de Demolidor, primeira série da parceria entre a Marvel e a Netflix, era chegada a hora de fazer uma maratona no fim de semana e devorar todos os seus 13 episódios. Mas e aí, era tudo aquilo que estavam comentando? Valeu a pena toda aquela expectativa? Isso eu conto pra vocês agora. Ah, e SEM spoilers.

No filme dos Vingadores, Nova York foi invadida por alienígenas que acabaram destruindo a cidade. Os super-heróis salvaram o dia, mas a bagunça ficou. Nesse momento de reconstrução e de fragilidade da cidade, alguns nomes do submundo tentam aproveitar as oportunidades que aparecem para aumentar seu poder e sua influência, e entre eles está Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), que tenta ascender ao topo da cadeia alimentar dos poderosos para, na sua cabeça, fazer uma cidade melhor.

Nesse cenário, mas precisamente no bairro de Hell’s Kitchen (ou Cozinha do Inferno), vive Matt Murdock (Charlie Cox), um advogado idealista que perdeu a visão quando criança, mas desenvolveu seus outros sentidos e um forte senso de justiça. Ao lado de seu amigo e sócio Foggy Nelson (Elden Henson), Matt usa a lei para tentar fazer da sua cidade um lugar melhor para se viver. E quando a lei não é eficiente, ele atua como um vigilante mascarado para limpar a sujeira com suas próprias mãos. Mas há um longo caminho entre agir como um vigilante e ser um herói, e há uma linha tênue entre o bem e o mal.

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Como era esperado após os trailers, a série tem uma atmosfera muito mais pesada do que as outras produções da Marvel, tanto no cinema quanto na TV. E não é só por conta da violência mais presente nas cenas, mas também pelo climão mais soturno (desculpem, mas eu não vou usar o “sombrio e realista” da Distinta Concorrência). Além disso, a pegada mais urbana do herói recebe o tratamento que merece, dando ao Demônio da Cozinha do Inferno embates mais próximos da realidade (ainda que com algumas ressalvas) e deixando as ameaças cósmicas para a S.H.I.E.L.D. e os Vingadores.

Na parte visual, e até da história, a fonte de inspiração é a minissérie “Homem Sem Medo”, de Frank Miller e John Romita Jr, inclusive com a transposição de algumas cenas das páginas para a tela. Mas a produção não se limita a essa fase e faz referências a todo o acervo do personagem, com muitos easter eggs para agradar os fãs de longa data.

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Um destaque que tem que ser feito quanto à produção é a parte da ação. As cenas de luta, que em alguns momentos lembram muito os filmes do Jason Bourne, são as melhores já feitas numa série de TV. E digo isso com toda segurança (e sem medo de retaliação), porque as coreografias dos combates corpo a corpo são incríveis e as escolhas de onde colocar a câmera durante as lutas fazem toda a diferença. Além disso, Matt, mesmo sendo um excelente lutador, não é poupado dos golpes dos seus inimigos, e apanha bastante. É sério, como esse cara apanha! O positivo nisso é que só reforça a sua força de vontade em se manter de pé, ainda que em alguns momentos, vê-lo se recuperar de surras tão grandes nos faz lembrar que estamos diante de uma série de super-heróis e não de algo preso à realidade.

No entanto, todos esses méritos da produção não seriam o suficiente para segurar a série se o elenco não fosse bom. E em Demolidor, ele é excelente. Charlie Cox possui o carisma que um protagonista precisa ter e apresenta com segurança todas as nuances do advogado cego que luta por uma cidade melhor, seja usando a lei, seja atuando como o vigilante mascarado. O mesmo pode ser dito do seu antagonista, com Vincent D’Onofrio arrebentando como Wilson Fisk, muito mais humanizado dos que nos quadrinhos, mas igualmente cruel em certos momentos, e com a presença física que o vilão exige.

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Eu não vou dizer aqui que Demolidor é perfeita, nem que é a melhor série do mundo (ainda que eu a considere a melhor série de super-heróis já produzida). Mas diante da proposta da Marvel e da Netflix, dá para afirmar que o resultado final é excelente e que o trabalho de todos os envolvidos na produção é competente em todos os quesitos e digno de aplausos. Se você curte quadrinhos, seja da Marvel ou não, a série vale muito ser assistida. E mesmo se você nunca ouviu falar em Demolidor, ainda assim vale o seu tempo, já que a série não exige nenhum conhecimento prévio do personagem para se entender a história que é contada. Claro, é bom pelo menos estar ciente do que aconteceu no filme dos Vingadores pra não ficar boiando na trama principal.