Resenha: O Final de House M.D.

Demorei muito pra escrever isso por se tratar do fim de House. Embora a série  já não estivesse nos seus melhores momentos, é difícil acreditar que não veremos mais aquele “carisma particular” com os pacientes e as estripulias do médico mais ranzinza da TV (ou pelo menos aqueles que não tem as temporadas em DVD). Por isso, vamos relembrar um pouco a série e seus marcantes personagens, com um texto cheio de SPOILERS pra você que ainda não viu o último episódio.

Médico, ou deveria dizer detetive? É, porque tudo que Gregory House (Hugh Laurie) fazia era trazer os casos mais escabrosos para serem desvendados pelo departamento que chefiava – o departamento de Diagnósticos do Hospital Escola Princeton Plainsboro, dirigido pelo objeto de desejo de House, a Dr. Lisa Cuddy (Lisa Eldenstein) – e escravizar sua então primeira equipe, o Dr. Eric Foreman (Omar Epps), que ao passar do tempo foi ficando mais parecido com o House, mas sem perder suas características; a Dr. Allison Cameron (Jennifer Morrison), que tinha uma paixonite por House; e o Dr. Robert Chase (Jesse Spencer), que embora fosse um bom médico, sempre era o primeiro a entregar o House quando ele fazia alguma besteira (era o “elo fraco da corrente”). Com uma personalidade tão difícil e seu igual desinteresse pelas pessoas é até difícil de acreditar que House tinha um amigo, mas ele existia. E que amigo era o Dr. James Wilson (Robert Sean Leonard)! Só mesmo ele e sua “paciência de Jó” pra aturar o House. Mais do que aturar, ele entendia o House sob muitos aspectos.

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Com o passar dos tempos (e de muitos casos médicos sinistros) houveram mudanças na equipe, com as entradas de Lawrence Kutner (Kal Penn), Chris Taub (Peter Jacobson) e Remy Hadley (Olivia Wilde), cujo nome só foi descoberto um ano depois de sua entrada, sendo até então chamada simplesmente de Treze. Entre o casamento de Chase e Cameron, a morte da Dr. Amber Volakis (Anne Dudek), namorada de Wilson que House não conseguiu salvar, e o súbito suicídio do Dr. Kutner, House ia cada vez mais se afastando de todos e enfiando a cara no Vicodin, seu remédio pra dor, até que o vício o levou a se internar numa clínica de reabilitação. E quando chegou ao ponto de ter uma recaída, engatou um namoro com Cuddy, agora mãe adotiva. Mas o namoro não acabou bem e House faz mais uma das suas, entrando de carro e tudo na sala de jantar de Cuddy. Então, House viu o “sol nascer quadrado” por um ano. E assim, chegamos ao último ano da série, onde muitas reviravoltas aconteceram.

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A maior de todas foi a revelação da doença de Wilson, um câncer terminal que só lhe dá 5 meses de vida, fato que passa a ditar o ritmo dos episódios finais da série. Com a futura perda de seu único amigo, House passa a não ver mais motivos para viver também, já que não acha mais nada de interessante na via, nem em seus casos. E para piorar a situação, a condicional de House é revogada e ele vai voltar pra cadeia para cumprir os 6 meses da sentença e não vai poder estar ao lado do amigo no seu momento final. Aí chegamos ao último episódio, Everybody Dies (Todos Morrem. Em referência ao lema central do House, “Everybody Lies”, ou Todos Mentem), onde House tenta fazer o que faz melhor: usar de sua inteligência de subterfúgios pra escapar da cadeia. Enquanto está preso em um hotel em chamas, House relembra como tentou convencer Foreman e Wilson a assumirem a culpa pelo ocorrido. Mas Wilson finalmente se cansa de acobertar House e se nega a ajudá-lo, alegando que o médico terá que aprender a lidar com a responsabilidade de seus atos uma vez que ele se for. E como o episódio se passa todo nas lembranças de House, vemos outra coisa em que o médico é muito bom, conversar com o seu consciente, onde ele toma forma das pessoas que house perdeu ou que não fazem mais parte da vida dele, e tentam convencê-lo de que pode haver vida após Wilson. Com muitas surpresas e reviravoltas, vemos que apesar de ser um eterno rebelde que só faz o que bem entende, House prova ser um fiel amigo para Wilson e felizmente (ou infelizmente para nós) a vida vai tomar seu curso para os integrantes do Hospital.

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Agora, já que House ficará nas nossas lembranças, vamos guardar alguns de seus ensinamentos:

– Todo mundo mente;
– Médicos erram, e seus erros custam caro;
– Não é Lupus; E quase nunca vai ser Sarcoidose;
– Atitudes geram mudanças, não fazer nada não muda nada;
– Falar sobre mamíferos se acasalando é uma excelente estratégia pra irritar alguém no Poker;
– Existe diferença entre Castanha e Castanha-do-Pará;
– Trabalhar com uma chefe gostosa é difícil; E com uma funcionária gostosa também;
– Se você está começando a ver gente morta e sofrer alucinações, é melhor parar com o remédios;
– Não podemos ter tudo que queremos, mas podemos tentar (tá legal, isso não é do House, é dos Rolling Stones, mas ele vivia sob essa filosofia, então tá valendo).

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E pra finalizar, como já disse, a série podia estar caindo na mesmice (também, depois de 8 anos e ainda se manter nova é muito complicado) mas House teve episódios lendários, e resolvi escolher meus 14 episódios preferidos.

1 – Sem Pistas (S2xEp15): Ver Wilson com sua paciência ao máximo pra aturar as inúmeras pegadinhas de House enquanto mora em sua casa é hilário;

2 – House x Deus (S2xEp19): Ver House tentando provar que um jovem curandeiro que acha que Deus está lhe curando mostra como House é arrogante e não acredita em Fé, apenas em fatos;

3 – Erro Humano (S3xEp24): Com a saída de Foreman e as demissões de Chase e Cameron, chega ao fim a primeira e mais marcante equipe do departamento de Diagnósticos;

4 – Sozinho (S4xEp01): Com a equipe desfeita House tenta provar que não precisa de ninguém  e assume um caso sozinho;

5 – Aposta Tudo (S2xEp17): A obsessão de House por enigmas é levada aos limites quando aparece um menino que ele acha que apresenta os mesmos sintomas de uma senhora que ele não conseguiu salvar;

6 – O que for preciso (S4xEp06): Ver House tirando onda na CIA e ainda dando em cima da doutora gostosa é muito engraçado;

7 – Desintoxicação (S1xEp11): Quando Cuddy aposta com House que ele não consegue ficar um mês sem Vicodin temos a primeira prova de que House está ficando viciado no remédio;

8 – Maternidade (S1xEp04): House toma a difícil decisão de sacrificar uma criança para salvar a maternidade do hospital inteiro;

9 – Euforia, Parte 2 (S2xEp21): Quando Foreman cai misteriosamente doente no episódio anterior, House tenta fazer o possível e o impossível pra salvar o funcionário;

10 – Um dia, um quarto (S3xEp12): O que parecia só mais um dia de trabalho muda completamente quando House encontra uma garota que foi estuprada e ela só quer conversar com ele;

11 – Os Dois Lados (S5xEp24):  O vício de House por Vicodin atinge o seu máximo e vemos ele admitir que precisa de ajuda e decide se internar numa clínica. A cena final ao som de “As Tears Goes By” dos Rolling Stones é bem emotiva;

12 – House Derrotado (S6xEp01): Só a abertura mostrando os meses horríveis de House se livrando do vício de remédios no sanatório ao som de “No Surprises” do Radiohead já vale o episódio;

13 – A Cabeça do House/O Coração do Wilson (S4xE15/16): Esse final da 4ª temporada já diz tudo nos títulos. Vemos como funciona o raciocínio do House e o coração do seu melhor amigo quando Wilson sofre uma perda, que apesar de não ser sua culpa, House sempre a carregou no seu subconsciente;

14 – Três Histórias (S1xEp21): Pra mim o melhor de toda a série. O que era pra ser uma simples aula se transforma num histórico de como House se tornou o House que conhecemos.

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É isso, gente. House é uma série que vai deixar saudades e dificilmente conheceremos outro médico tão prepotente, arrogante e com tamanho descaso pelo ser humano, mas que se tornou irresistível e que todos nós gostaríamos de ter como nosso médico pessoal. Ao menos, eu gostaria.

House M.D., 2004 – 2012 – 8 Temporadas – 177 Episódios