Resenha: Street Fighter – Assassin’s Fist

Há um tempo tava lendo algum artigo (ou ouvindo algum podcast, não me recordo…) que se tem algo que seria impossível de se adaptar para TV ou para o cinema seria Street Fighter. E convenhamos, como se adaptar um jogo que simplesmente coloca lutadores de todo o canto do mundo para lutar em um torneio? (Talvez por isso tenham chamado o Van Damme pra fazer o primeiro filme, já que o próprio estrelou vários filmes com esse mesmo plot na década de 90).

O tempo passou e, mesmo com mais uma tentativa de filme, uma adaptação live-action nunca esteve à altura do game tão icônico. Até que, seguindo os passos do game rival Mortal Kombat, a websérie Street Fighter – Assassin’s Fist entrou em produção e foi lançada recentemente no Youtube. Mas será que essa acertou onde os seus predecessores falharam?

A história transita entre dois momentos: em 1989, acompanhamos o treinamento dos jovens Ryu (Mike Moh) e Ken (Christian Howard) sob a tutela do mestre Gouken (Akira Koieyama), que decide que é hora de passar aos seus pupilos os segredos do Satsui no Hadou e o Ansahtsuken, o “punho assassino” do título; e por meio de flashbacks, seja como lembrança do próprio Gouken ou para ilustrar algo que os jovens descobrem, vemos o seu treinamento com seu irmão Gouki (Gaku Space). Ele relembra como seu irmão foi dominado pelo Dark Hadou e se transformou no demônio Akuma (Joey Ansah) e tenta evitar que a tragédia do passado se repita no presente.

O primeiro acerto do roteiro, que foi feito a 4 mãos (Joey Ansah e Christian Howard), foi contar a história do seu começo, ou seja, mostrar o Ryu usando a faixa branca antes de usar a vermelha e Ken com um longo cabelo “Seda ceramidas”, e quem é fã já percebe isso no título do episódio 0, Alpha (nome americano da fase que mostra os personagens adolescentes, com esse visual. O nome japonês é “Zero”. Sacaram?!). Com isso, vemos a construção desse laço de amizade que é tão conhecido pelos fãs.

Vou confessar que curti mais os pedaços do Ken e Ryu do que a origem do Akuma. A única coisa legal é ver como o personagem vai se transformando e os efeitos físicos provocados por essa energia ruim. Mas quando Gouki some e surge o demônio aí sim fica bom, com direito até ao “apaga a luz”.

O mais legal é ver como o diretor e responsável pela iniciativa da websérie Joey Ansah se esmerou nos detalhes. Ansah, dublê profissional que bateu muito no Matt Damon em O Ultimato Bourne, transcreveu com perfeição cada mínimo movimento dos personagens para a série. É possível reconhecer cada movimento de Ken, desde o agarrão até o chute, e posições de luta e contra golpe. O desenrolar da série mostra os personagens aprendendo os golpes que os deixariam tão famosos, e isso causa alguns momentos engraçados, como a frustração do Ken por não conseguir concentrar o ki e quando ele é atingido pelo Hadouken do Ryu. Mas não é só no estilo de luta que vemos os personagens, suas características marcantes também estão lá. Ryu tem aquele jeito mais paciente e compenetrado, mas não chega a ser certinho e Ken é impaciente e sempre ofensivo em seus ataques.

O 4º episódio foi o meu preferido, por mostrar a dupla fora do ambiente de treinamento, me fez lembrar muito o animê Street Fighter – Victory (que ficou famoso por aqui por ser exibido no SBT em 1995). Ryu até usa a mesma blusa branca que o personagem usa no desenho. Aliás, a própria Capcom, empresa responsável pelo game, foi homenageada. A cena que mostra a dupla jogando Megaman é rápida, mas quem é fã de games vai curtir muito esse momento. Aliás, a websérie é justamente isso: um deleite para os olhos dos fãs do game e finalmente uma adaptação que dá um mínimo respeito ao legado de Street Fighter. Se tem uma coisa que faltou nessa série foi eles interagirem com outros personagens do jogo, ou seja, faltou mais.