Resenha: The Flash

Ao ver que Arrow crescia em audiência na sua 2ª temporada, os produtores ousaram no uso de habilidades especiais em um mundo cuja proposta era manter tudo com uma base de real. E em um movimento ousado, eles resolveram, aos poucos, expandir o universo DC nas telinhas, e em um episódio duplo, incluíram Barry Allen (Grant Gustin) nesse universo. Sendo atingido por um raio e tendo uma excelente recepção pelos fãs da série, não tardou para a CW dar uma própria série para o herói, e nos entregar uma das melhores estreias da temporada.

Logo no primeiro episódio já é mostrado ao público que se trata de uma abordagem totalmente diferente da sua série-mãe. Mais cores, diálogos mais leves e divertidos e, com a explosão do acelerador de partículas que deu poderes ao Flash, uma infinidade de vilões superpoderosos. Efeito “chuva de meteoros” de Smallville, você pode pensar, até eu mesmo pensei, mas o irônico é que os vilões que mais deram trabalho, e que geraram episódios mais interessantes, foram aqueles que não tem poderes.

A trama parte de Barry sempre tentando elucidar o mistério da traumática morte de sua mãe, que levou seu pai (John Wesley Shipp, o primeiro Flash da TV) à prisão. Trama que, aliás, foi muito bem trabalhada, entregando inúmeras revelações ao longo dos 23 episódios, e se permitindo brincar com elementos que fazem parte da mitologia do Flash, como viagens temporais e realidades alternativas.

É visível a confiança do canal CW no produto, porque a série é recheada de efeitos especias, dos mais básicos – como inúmeras e criativas maneiras de mostrar a velocidade do Flash – aos mais complicados. Introduziram até mesmo o Gorila Grodd, um importante vilão do Flash, de modo totalmente convincente e nada constrangedor.

No entanto, a força de The Flash se encontra no seu elenco, muito melhor que o de Arrow, em especial John Wesley Shipp, Jesse L. Martin e Tom Cavanaugh. Shipp e Martin se destacam como os pais de Barry, seus pontos de apoio, com diálogos sempre emocionantes. Danielle Panabaker, Candice Patton e Rick Cosnett complementam o bom trabalho da série, e Carlos Valdez dá um show como Cisco, sendo o principal responsável pelos diálogos mais divertidos.

A série ainda faz muitas homenagens à primeira versão do Flash na TV, ao trazer Mark Hamill de volta ao papel do vilão Trapaceiro. E, já visando a expansão do universo DC nas séries, The Flash brinca com várias aparições de personagens importantes e inclui novos para a mitologia, em especial Ronnie Raymond (Robbie Amell) e o Dr. Martin Stein (Victor Garber), que acabam se tornando o herói Nuclear.

E falando de criação de universo, The Flash fundamenta ainda mais esse conceito na telinha, pois a série conversa muito bem com Arrow, com os personagens das duas séries interagindo uns com os outros, e promete uma expansão ainda maior para a sua próxima temporada, com mais personagens (até já tivemos a rápida aparição da futura Mulher-Gavião), mais efeitos e esperamos que um dilema maior para Barry encarar. Mas definitivamente, a série é uma agradável novidade e diversão garantida.